Marinha e Taurus firmam memorando para pesquisa, padronização e tecnologia em calibres 9 mm, 5,56 mm, 7,62 mm e .50, visando fortalecer a BID e reduzir dependência externa
Acordo entre a Marinha e Taurus prevê cooperação técnica para desenvolvimento e homologação de armamentos, com potencial uso nas Forças Armadas e nas forças policiais.
O entendimento surge depois de uma controvérsia sobre a compra, por dispensa de licitação, de 140 fuzis importados, e busca priorizar soluções industriais nacionais.
As tratativas foram formalizadas em reuniões técnicas entre a fabricante e o Corpo de Fuzileiros Navais, e resultaram na elaboração de um memorando de entendimento, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
A polêmica da compra e a justificativa legal
A aquisição dos 140 fuzis da fabricante americana Colt’s Manufacturing Company ocorreu por dispensa de licitação, amparada pela Lei nº 14.133/2021, que permite compras para manter a padronização logística de equipamentos já em uso.
A Marinha esclareceu que a compra não significou adoção de um novo sistema de armas, e sim o recompletamento de um acervo já padronizado há mais de 25 anos, objetivo que justificou a contratação sem licitação.
O episódio ganhou atenção após críticas públicas da Taurus e alertas do TCU, que recomendou desestimular compras no exterior quando houver produto nacional equivalente, citando riscos à indústria nacional.
Capacidade industrial da Taurus e debate sobre soberania
A Taurus destacou que o fuzil T4 calibre 5,56 mm é produzido no Brasil, em São Leopoldo, e que já foram fabricadas cerca de 100 mil unidades desde 2017, com adoção por forças de segurança e exportações para a África e a Ásia.
A empresa argumentou que importar armas enquanto produtos brasileiros enfrentam tarifas elevadas no exterior fragiliza a autonomia estratégica, o conteúdo local e a Base Industrial de Defesa.
O acordo e os impactos esperados
Após esclarecimentos técnicos, a parceria entre Marinha e Taurus prevê cooperação em calibres 9 mm, 5,56 mm, 7,62 mm e .50, com foco em desenvolvimento, testes e homologação de novos projetos.
O desfecho indica mudança de postura institucional, com possibilidade de privilegiar soluções nacionais em projetos futuros, contribuindo para a autonomia tecnológica, geração de empregos qualificados e fortalecimento da BID.


