Lideranças tikúnas de Bellavista Callarú deram 30 dias por respostas, e dizem avaliar a possibilidade de incorporação ao Brasil diante do abandono estatal, da violência e do avanço do narcotráfico
Uma comunidade indígena no extremo nordeste do Peru passou a cogitar uma mudança inédita, a de deixar o país e buscar a incorporação ao Brasil, por sentir-se abandonada pelo Estado.
O povoado de Bellavista Callarú, habitado majoritariamente por indígenas tikúnas, denuncia ausência de serviços básicos, falta de segurança e atuação crescente de organizações ligadas ao narcotráfico.
As lideranças locais estabeleceram um prazo de 30 dias para que o Estado peruano apresente respostas concretas, caso contrário, afirmam que medidas “drásticas” poderão ser avaliadas.
conforme informação divulgada pela imprensa local e pelo Defesa em Foco.
Onde fica Bellavista Callarú e por que a região é estratégica
Bellavista Callarú está no distrito de Yavarí, província de Mariscal Ramón Castilla, na tríplice fronteira entre Peru, Brasil e Colômbia. A área é marcada por floresta densa e por rios que funcionam como eixos logísticos, legais e ilícitos.
Os tikúnas são um povo transfronteiriço, presente nos três países, e no Brasil representam o maior grupo indígena segundo dados do IBGE, o que reforça vínculos culturais e familiares que atravessam as fronteiras formais.
Violência, narcotráfico e ausência do Estado
A comunidade relata um cenário de grave insegurança, com assassinatos, extorsões, ameaças e casos de sicariato, enquanto líderes indígenas vivem sob risco permanente. A falta de presença policial e institucional teria criado um vazio de poder ocupado por crimes transnacionais.
Além da segurança, a população aponta precariedade em saúde, educação e infraestrutura, e nota uma integração prática com vizinhos, com a substituição do sol peruano por reais e pesos colombianos mencionada pela comunidade.
Implicações geopolíticas e impacto para o Brasil
Embora juridicamente improvável no curto prazo, a ameaça de incorporação tem forte valor simbólico e expõe a fragilidade da soberania em zonas de fronteira amazônica, e alerta para os riscos de vazios de governança.
Para o Brasil, o caso reforça a necessidade de presença institucional permanente nas fronteiras, não apenas militar, mas também social e econômica, para evitar que áreas remotas sejam preenchidas por economias ilegais ou por influência externa.


