Everardo Backheuser defendeu que a ocupação do espaço, a formação cívica e a integração por infraestrutura eram elementos-chave do pensamento territorial militar, para afirmar a soberania
No início do século XX, o Brasil buscava consolidar fronteiras e integrar um território continental, marcado por baixa densidade no interior e infraestrutura limitada.
Everardo Backheuser alinhou correntes europeias de geopolítica com uma leitura própria da realidade brasileira, enfatizando a relação entre espaço geográfico e poder do Estado.
Para Backheuser, a soberania não se sustenta apenas por meios militares, ela exige presença efetiva, vínculos culturais e integração física do país, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
A formação do pensamento territorial militar
Backheuser contribuiu para a consolidação de um pensamento territorial militar no Brasil, ao tratar o território como fator estruturante da economia, da defesa e da coesão política.
Ele adaptou ideias da geografia política europeia à realidade brasileira, com ênfase em um país de grande extensão territorial e interior pouco povoado, onde a presença estatal precisava ser praticada, não apenas cartografada.
Território e educação cívica como instrumentos de soberania
Uma das propostas mais originais de Backheuser foi conectar educação cívica e defesa nacional, entendendo que cidadãos integrados culturalmente fortalecem a soberania.
Segundo essa visão, a ocupação deve vir acompanhada de formação cultural, para transformar espaço formalmente incorporado em território politicamente coeso e estratégico.
Interiorização, infraestrutura e integração física do país
Backheuser enfatizou a ocupação do interior como imperativo estratégico, por acreditar que um território vazio é vulnerável a pressões externas e internas.
Ferrovias, rodovias e comunicações eram vistas como instrumentos de integração física, capazes de facilitar deslocamento de tropas, mercadorias e populações, e assim, aumentar a capacidade de dissuasão do Estado.
Atualidade e legado do pensamento
Mesmo formulado há mais de um século, o pensamento territorial militar de Backheuser continua relevante para entender a relação entre território, soberania e infraestrutura no contexto geopolítico contemporâneo.
Sua ênfase na integração física, na formação cívica e na visão de longo prazo ajuda a interpretar políticas de defesa que vão além de armamentos, ao priorizar ocupação estratégica, coesão social e planejamento nacional.


