Encontro na Capitania dos Portos aproximou cultura e defesa, com foco na gestão da Amazônia Azul, proteção de recursos offshore, infraestrutura digital e formação profissional
Na noite da última quarta-feira, membros da Academia Maceioense de Letras visitaram a sede da Capitania dos Portos de Alagoas para acompanhar uma palestra do Capitão de Fragata Rodrigo Garcia.
O encontro tornou explícita a intenção de inserir o meio acadêmico no debate sobre soberania marítima, ordenamento do litoral e oportunidades da Economia do Mar para Alagoas.
Os temas centrais incluíram extensão territorial, exploração de recursos, segurança da navegação e ações de inclusão social, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco
Amazônia Azul, extensão e importância estratégica
O ponto central da palestra foi o conceito da Amazônia Azul, a área marítima sob jurisdição brasileira que ultrapassa 5,7 milhões de km², espaço equivalente à Europa Ocidental. Segundo os dados apresentados, 95% do comércio exterior brasileiro transita pelo mar, e ainda, cerca de 90% do petróleo e 85% do gás natural são extraídos em áreas marítimas, além dos cabos submarinos que garantem a comunicação digital
O oficial ressaltou que a defesa desses espaços não é responsabilidade exclusiva das Forças Armadas, e que economia, tecnologia, indústria e cultura compõem a equação estratégica, afirmando “>Quando se fala em defesa, fala-se em poder nacional”
Capitania dos Portos, atuação cotidiana e pilares de trabalho
A palestra também explicou o papel da Marinha como Autoridade Marítima, exercido pelas Capitanias, destacando que a atuação vai além de navios de guerra e envolve serviços diretos ao cidadão.
A Capitania dos Portos de Alagoas promove ordenamento náutico e fiscalizações focadas em segurança da navegação, salvaguarda da vida humana no mar e prevenção da poluição hídrica, organizando delimitações para banhistas, embarcações e fundeio para reduzir acidentes e fortalecer o turismo local.
Economia do Mar, impacto em Alagoas e capacitação profissional
A Economia do Mar foi apresentada como vetor essencial de desenvolvimento, com cerca de 20% do PIB brasileiro ligado direta ou indiretamente às atividades marítimas. Em Alagoas, o efeito é visível no turismo náutico de Maceió e Maragogi, na exportação de açúcar pelo porto, na pesca artesanal, no transporte de passageiros e no complexo lagunar Mundaú-Manguaba.
O Estado possui mais de 2.500 embarcações de transporte de passageiros, e a Marinha realiza capacitações gratuitas por meio do Ensino Profissional Marítimo para jangadeiros, pescadores, aquaviários e trabalhadores portuários, promovendo emprego, renda e inclusão social.
Planejamento, cultura oceânica e diálogo entre sociedade e defesa
Também foi abordado o Planejamento Espacial Marinho, que organiza usos como pesca, navegação e exploração de petróleo para garantir sustentabilidade e segurança jurídica das atividades marítimas.
A presença da Academia Maceioense de Letras, fundada em 11 de agosto de 1955, na Capitania simbolizou a construção de uma cultura oceânica em Alagoas, aproximando pensamento intelectual e realidade estratégica, e ampliando o debate público sobre soberania e desenvolvimento.
Ao fim do encontro, ficou claro que o mar é um ativo estratégico, econômico e social, e que a defesa e gestão da Amazônia Azul dependem da participação de toda a sociedade, de instituições culturais e de órgãos de governança


