Na França, a participação reforça a capacidade expedicionária brasileira, testando projeção anfíbia, integração multinacional e sustentação logística em cenários de alta intensidade
A presença dos Fuzileiros Navais em exercício europeu leva a Marinha a operar em um ambiente que simula guerra de larga escala, com integração anfíbia e coordenação multinacional. O treinamento expõe a tropa a clima, doutrinas e tecnologias distintas das empregadas rotineiramente no país.
O emprego em teatro externo exige mobilização, comando e controle eficientes, além de linhas logísticas capazes de manter força projetada longe da base nacional. Esses elementos são, na prática, o núcleo da capacidade expedicionária.
Para a Marinha, o ganho vai além do adestramento técnico, pois amplia a credibilidade da Força como instrumento de política externa, e oferece novas opções estratégicas ao Estado. conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
O que significa ser uma força expedicionária
Forças expedicionárias são concebidas para operar fora do território nacional, em cenários variados, desde crises humanitárias até conflitos de alta intensidade. Exigem preparo técnico, robustez logística, interoperabilidade e flexibilidade doutrinária.
No material divulgado consta que “A participação da Marinha do Brasil na Operação Orion 2026, conduzida na França, vai além de um exercício multinacional.” Essa inserção prática em ambiente euro-atlântico permite testar a projeção anfíbia, a integração multinacional e a sustentação logística externa.
Prontidão estratégica e efeito de dissuasão
Uma força capaz de mobilizar-se rapidamente para atuar em teatros externos sinaliza capacidade de resposta ampliada, o que tem efeito direto na dissuasão. A prontidão expedicionária é, portanto, instrumento de influência estratégica, não apenas um recurso operacional.
Ao treinar sob padrões interoperáveis com forças euro-atlânticas, e em condições climáticas e doutrinárias distintas, os Fuzileiros elevam sua adaptabilidade. Esse ganho qualitativo repercute em missões de proteção do Atlântico Sul, defesa de interesses marítimos e em operações combinadas com parceiros.
Projeção de poder, ambição estratégica e implicações para o futuro
Consolidar uma capacidade expedicionária global não significa adotar postura intervencionista, mas dispor de instrumentos para evacuação de cidadãos, missões de paz, resposta a desastres e cooperação militar. A Operação Orion 2026 reúne meios navais, anfíbios e aeronavais, fortalecendo essa capacidade integrada.
O aprendizado obtido na França tende a repercutir na doutrina, no adestramento e no planejamento de capacidades, servindo como catalisador de modernização. Ao ampliar sua presença em cenários multinacionais complexos, a Marinha projeta-se como força com alcance além do entorno regional, mantendo autonomia estratégica e ampliando seu capital político militar.


