Retomada da celebração na Igreja da Candelária em 2 de fevereiro reacende tradição de devoção à Nossa Senhora dos Navegantes, fortalecendo laços entre fé, história e vida no mar
A Marinha do Brasil voltou a promover, na Igreja Nossa Senhora da Candelária, uma missa solene dedicada à Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira da Força, em ato que reuniu autoridades, militares e fiéis.
A cerimônia, celebrada no 2 de fevereiro, marcou o reencontro institucional com uma devoção profundamente ligada à história naval brasileira, e resgatou uma prática que não era realizada havia décadas.
O gesto simboliza a preservação da memória e da identidade da Marinha, ao restaurar ritos que acompanham a vida no mar e a formação de seus integrantes.
conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.
Resgate histórico e tradição centenária
“A devoção à Senhora dos Navegantes remonta à criação da Irmandade Filial de Nossa Senhora dos Navegantes, no âmbito da antiga Armada Nacional.” Essa trajetória institucional começou a se consolidar no fim do século XIX.
Em 1898, foi solicitada autorização para a instituição formal da Irmandade na Igreja da Candelária, e, em 1900, ocorreu a transladação da imagem pertencente à Marinha para entronização no templo, reforçando o vínculo entre espiritualidade e vida naval.
O reencontro atual com essa tradição recupera símbolos e ritos que atravessam gerações, e contribui para a preservação do patrimônio cultural da Força.
Presenças e simbolismo institucional
“A cerimônia foi presidida pelo pároco da igreja, Monsenhor Hélio Pacheco, com acolhida da Irmandade da Candelária.” Estiveram presentes o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, membros do Almirantado, representantes de organizações militares e a Congregação Mariana dos Oficiais da Marinha.
A presença do alto-comando conferiu caráter institucional à celebração, demonstrando que a devoção integra o patrimônio histórico e cultural da Marinha do Brasil.
Ao final do rito, participantes rezaram junto ao altar dedicado à Nossa Senhora dos Navegantes, onde permanece a imagem histórica doada pela própria Marinha.
Interrupção na Segunda Guerra e significado da retomada
“Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1940, a Missa da Irmandade fundada pelos militares foi suspensa.” O contexto global e as necessidades operacionais da época interromperam uma prática já consolidada no calendário religioso naval.
A retomada, mais de oito décadas depois, simboliza a reafirmação da identidade histórica da Força, e a escolha de resgatar a missa revela a preocupação institucional em manter viva a herança simbólica que sustenta coesão e memória entre os integrantes.
O restabelecimento da cerimônia serve também como ponte entre passado e presente, ao preservar ritos que ajudam a formar valores espirituais e culturais vinculados à vida no mar.
Impacto e continuidade
Ao reinserir a celebração no calendário, a Marinha reforça a integração entre tradição, fé e serviço militar, e cria oportunidade para a transmissão desses valores às novas gerações.
O resgate da missa de Nossa Senhora dos Navegantes contribui para a conservação do acervo imaterial naval, e reafirma a importância de manter vivas práticas que fortalecem a identidade institucional.


