Com a visita de lideranças militares e pesquisadores, a celebração dos 40 anos da invernada brasileira na Antártica destacou ciência, presença estratégica e cooperação internacional
A Marinha do Brasil organizou uma comitiva para retornar à Estação Antártica Comandante Ferraz, em ato que marcou os 40 anos da primeira invernada brasileira na Antártica, ocorrida em 1986.
A visita reuniu autoridades dos ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovação, além do Comandante da Marinha do Brasil, Marcos Sampaio Olsen, e de José Henrique Salvi Elkfury, líder do primeiro Grupo-Base da invernada.
O evento serviu para relembrar desafios e conquistas, e para reforçar a importância do programa nacional de pesquisa e logística no continente, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.
Primeira invernada e os desafios enfrentados
A primeira invernada brasileira na Estação Antártica Comandante Ferraz ocorreu em 1986, quando militares e pesquisadores permaneceram durante todo o inverno antártico no continente. A missão foi chefiada pelo então Capitão-Tenente José Henrique Salvi Elkfury.
Segundo ele, o maior desafio foi lidar com o caráter inédito da missão para o país e preparar adequadamente os meios humanos e logísticos necessários para enfrentar um ambiente extremo. As equipes precisaram se adaptar a temperaturas frequentemente inferiores a 20 graus negativos, além do isolamento total durante meses, quando as condições climáticas impedem qualquer operação de embarque ou desembarque no continente.
PROANTAR, ciência e inserção internacional
O Brasil atua na Antártica no âmbito do Programa Antártico Brasileiro, criado em 1982, responsável por coordenar as atividades científicas e logísticas do país. O programa consolidou o Brasil como membro consultivo do Tratado da Antártica.
Autoridades presentes no evento destacaram que o PROANTAR representa um instrumento estratégico de inserção internacional, permitindo ao Brasil desenvolver pesquisas em áreas como mudanças climáticas, oceanografia, biodiversidade e dinâmica atmosférica.
Navios, logística e produção científica
O funcionamento do Programa Antártico Brasileiro depende diretamente da capacidade logística da Marinha do Brasil. Atualmente, as operações antárticas contam com o Navio Polar Almirante Maximiano e o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel, que transportam pesquisadores, suprimentos e equipamentos para a estação e para acampamentos científicos.
Além da logística, os navios também desempenham papel relevante na produção científica, conforme a Marinha, “aproximadamente 40% das pesquisas brasileiras na Antártica são realizadas a partir dessas embarcações”, ampliando o alcance das expedições para áreas remotas do Oceano Austral.
Nos próximos anos, a capacidade será ampliada com a construção do Navio Polar Almirante Saldanha, o primeiro navio polar construído no Brasil, com previsão de entrega em 2026.
Legado dos 40 anos e projeção futura
Ao celebrar os 40 anos da primeira invernada, a Marinha reafirma o compromisso do Brasil com a ciência, a presença estratégica e a cooperação internacional na Antártica, mantendo ativa uma política de Estado que integra defesa, pesquisa e desenvolvimento nacional.
O reencontro na Estação Comandante Ferraz, com veteranos e autoridades, reforça que a invernada brasileira na Antártica não foi apenas um marco histórico, mas o início de uma presença permanente, com impactos diretos na produção científica e na projeção internacional do país.


