quarta-feira
11 março

Projeto MEDIANTAR: Marinha do Brasil estuda saúde e adaptação humana na Antártica, efeitos do frio extremo, isolamento e atividade física em permanências até 13 meses

O estudo MEDIANTAR, coordenado pela Universidade Federal da Bahia com apoio da Marinha do Brasil, acompanhará militares e pesquisadores na Estação Comandante Ferraz entre 2025 e 2026, monitorando indicadores fisiológicos, neurocognitivos e comportamentais

Um projeto científico brasileiro quer entender como o corpo e a mente reagem a longos períodos em condições extremas, no ambiente frio e isolado da Antártica. A pesquisa visa mapear respostas fisiológicas, cognitivas e comportamentais para orientar práticas de saúde e adaptação.

Militares e cientistas selecionados vão permanecer na base por períodos longos, com monitoramento contínuo de sinais vitais, funções cerebrais e estado emocional. A expectativa é gerar evidências aplicáveis a outros ambientes isolados e confinados.

O estudo terá atividades previstas entre 2025 e 2026 e acompanhará ocupantes da Estação Antártica Comandante Ferraz em permanências de até 13 meses, com foco em prevenção e melhora do desempenho humano, conforme informações do Projeto MEDIANTAR e da Marinha do Brasil.

O que será monitorado

Pesquisadores vão coletar dados sobre parâmetros fisiológicos, desempenho neurocognitivo e comportamento, buscando identificar sinais de desgaste físico e mental durante a estadia. O objetivo é quantificar riscos e propor intervenções que reduzam impactos do ambiente antártico.

Entre os aspectos observados estão a adaptação ao frio, a resposta ao estresse, alterações do sono e das funções cognitivas, além de indicadores de saúde mental. As mensurações permitirão traçar perfis temporais de adaptação humana.

Atividade física como estratégia

Uma frente central do estudo investiga como a atividade física pode mitigar efeitos negativos da exposição prolongada, incluindo declínio cognitivo e alterações comportamentais. O trabalho está vinculado ao Laboratório de Fisiologia do Exercício e Saúde, LAFES.

Ao testar protocolos de exercício em condições reais, os pesquisadores pretendem estabelecer recomendações práticas para manutenção da saúde e do desempenho em missões longas, contribuindo para a área emergente da Medicina Polar.

Coordenação, equipes e apoio

O Projeto MEDIANTAR é coordenado pelo professor Thiago Mendes, da Universidade Federal da Bahia, e conta com a subcoordenação da professora Rosa Maria Arantes, da Universidade Federal de Minas Gerais. A pesquisa reúne especialistas de várias instituições nacionais e internacionais.

Há apoio institucional da Marinha do Brasil e do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes, e financiamento de agências como CNPq, CAPES, ANP e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, além do grupo Mediantar e do LAFES.

Ciência, defesa e presença estratégica

O projeto integra o Programa Antártico Brasileiro, que foi criado em 1982 e garantiu ao país, desde 1983, o status de membro consultivo do Tratado da Antártica. Pesquisas na região também informam políticas sobre clima e oceanografia que afetam o hemisfério sul.

O tema da Medicina Polar foi incorporado ao Plano Decenal para a Ciência Antártica (2023–2032), o que reforça a aposta em estudos que alinham ciência, saúde e presença estratégica. Iniciativas como o Projeto MEDIANTAR ampliam o conhecimento sobre adaptação humana em ambientes isolados, confinados e extremos.

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