O estudo MEDIANTAR, coordenado pela Universidade Federal da Bahia com apoio da Marinha do Brasil, acompanhará militares e pesquisadores na Estação Comandante Ferraz entre 2025 e 2026, monitorando indicadores fisiológicos, neurocognitivos e comportamentais
Um projeto científico brasileiro quer entender como o corpo e a mente reagem a longos períodos em condições extremas, no ambiente frio e isolado da Antártica. A pesquisa visa mapear respostas fisiológicas, cognitivas e comportamentais para orientar práticas de saúde e adaptação.
Militares e cientistas selecionados vão permanecer na base por períodos longos, com monitoramento contínuo de sinais vitais, funções cerebrais e estado emocional. A expectativa é gerar evidências aplicáveis a outros ambientes isolados e confinados.
O estudo terá atividades previstas entre 2025 e 2026 e acompanhará ocupantes da Estação Antártica Comandante Ferraz em permanências de até 13 meses, com foco em prevenção e melhora do desempenho humano, conforme informações do Projeto MEDIANTAR e da Marinha do Brasil.
O que será monitorado
Pesquisadores vão coletar dados sobre parâmetros fisiológicos, desempenho neurocognitivo e comportamento, buscando identificar sinais de desgaste físico e mental durante a estadia. O objetivo é quantificar riscos e propor intervenções que reduzam impactos do ambiente antártico.
Entre os aspectos observados estão a adaptação ao frio, a resposta ao estresse, alterações do sono e das funções cognitivas, além de indicadores de saúde mental. As mensurações permitirão traçar perfis temporais de adaptação humana.
Atividade física como estratégia
Uma frente central do estudo investiga como a atividade física pode mitigar efeitos negativos da exposição prolongada, incluindo declínio cognitivo e alterações comportamentais. O trabalho está vinculado ao Laboratório de Fisiologia do Exercício e Saúde, LAFES.
Ao testar protocolos de exercício em condições reais, os pesquisadores pretendem estabelecer recomendações práticas para manutenção da saúde e do desempenho em missões longas, contribuindo para a área emergente da Medicina Polar.
Coordenação, equipes e apoio
O Projeto MEDIANTAR é coordenado pelo professor Thiago Mendes, da Universidade Federal da Bahia, e conta com a subcoordenação da professora Rosa Maria Arantes, da Universidade Federal de Minas Gerais. A pesquisa reúne especialistas de várias instituições nacionais e internacionais.
Há apoio institucional da Marinha do Brasil e do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes, e financiamento de agências como CNPq, CAPES, ANP e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, além do grupo Mediantar e do LAFES.
Ciência, defesa e presença estratégica
O projeto integra o Programa Antártico Brasileiro, que foi criado em 1982 e garantiu ao país, desde 1983, o status de membro consultivo do Tratado da Antártica. Pesquisas na região também informam políticas sobre clima e oceanografia que afetam o hemisfério sul.
O tema da Medicina Polar foi incorporado ao Plano Decenal para a Ciência Antártica (2023–2032), o que reforça a aposta em estudos que alinham ciência, saúde e presença estratégica. Iniciativas como o Projeto MEDIANTAR ampliam o conhecimento sobre adaptação humana em ambientes isolados, confinados e extremos.


