Exercício no Centro-Oeste, entre 11 e 29 de maio, reúne Gripen, KC-390, E-99 e Super Tucano para validar integração de sensores, comando e logística em cenários complexos
O EXCON Escudo-Tínia, realizado entre os dias 11 e 29 de maio na Base Aérea de Anápolis, marcou uma mudança na preparação conjunta das Forças Armadas brasileiras.
Além de deslocar o treinamento para o Centro-Oeste, o exercício contou, pela primeira vez, com a participação do caça F-39 Gripen em operações integradas com Exército e Marinha.
O objetivo central foi testar a interoperabilidade entre plataformas, sensores e comandos operacionais, em um cenário que simula desafios próximos aos de uma operação real, conforme informações divulgadas pelo Defesa em Foco.
Interoperabilidade, guerra em rede e mudança doutrinária
A ênfase do treinamento está em operar em rede, ou seja, integrar sensores, meios de combate, logística, comando e controle e fluxo de informações para respostas coordenadas.
Conflitos modernos dependem menos do desempenho isolado de uma plataforma e mais da capacidade de integração, por isso o exercício visou validar processos e comunicações entre os três poderes da força, com foco em ações multidomínio.
O papel do Gripen no exercício
A presença do Gripen no EXCON não foi apenas simbólica, ela foi doutrinária, pois o vetor foi concebido para operar em ambientes conectados, com alta integração de sensores e consciência situacional.
Ao emparelhar o Gripen com outras aeronaves e sistemas, as Forças puderam testar como capacidades de nova geração podem ser incorporadas ao emprego conjunto, avaliando rotinas de troca de dados, identificação de alvos e coordenação de apoio aéreo.
Plataformas envolvidas e objetivos práticos
O exercício reuniu plataformas como Gripen, KC-390 Millennium, E-99, A-29 Super Tucano, F-5M e C-105 Amazonas, além de sistemas de defesa antiaérea, comunicações, saúde operacional e ciberdefesa.
As atividades abrangeram apoio aéreo, infiltração, reconhecimento, transporte, evacuação aeromédica e defesa de pontos sensíveis, tratadas como componentes interdependentes de uma arquitetura operacional integrada.
Resultados esperados e importância estratégica de Anápolis
Mais que um adestramento, o EXCON foi uma avaliação de capacidade, permitindo identificar gargalos, ajustar protocolos e aperfeiçoar a interoperabilidade antes de empregar essas rotinas em operações reais.
A escolha da Base Aérea de Anápolis reforça a intenção de diversificar cenários de treino e usar um polo operacional da aviação de combate para testar emprego integrado em condições mais próximas da realidade.
No conjunto, o exercício indica que a evolução das Forças Armadas brasileiras passa por maior integração, conectividade e atuação multidomínio, e que a modernização precisa ser acompanhada pela adaptação doutrinária para tirar pleno proveito de meios como o Gripen.


