Decisão na IMO garante a países costeiros relatórios do LRIT a cada seis horas, elimina custos operacionais e fortalece busca, resposta a emergências e proteção ambiental
O acesso ao sistema global de rastreamento de navios passou por uma mudança que pode ampliar a segurança no mar, especialmente para países com longas zonas costeiras e recursos limitados.
A medida permite que Estados costeiros recebam dados regulares sem custo, com atualizações frequentes que melhoram a capacidade de vigilância e resposta a incidentes.
As informações foram discutidas e aprovadas em organismo internacional, e a iniciativa tem papel estratégico na proteção do Atlântico Sul e de rotas comerciais, conforme informação divulgada pela Organização Marítima Internacional, e pela Marinha do Brasil.
O que muda no sistema LRIT
A proposta aprovada durante a 111ª sessão do Comitê de Segurança Marítima (MSC 111) amplia o alcance do sistema LRIT, que rastreia embarcações em navegação internacional.
A partir da nova norma, Estados costeiros terão acesso gratuito a relatórios regulares de rastreamento de navios, atualizados a cada seis horas, e poderão monitorar embarcações até mil milhas náuticas, cerca de 1.850 quilômetros das áreas costeiras, o que eleva a capacidade de detecção e acompanhamento em alto mar.
Motivação e lições do derramamento de 2019
A proposta brasileira nasceu das dificuldades encontradas durante o grande derramamento de óleo que atingiu o litoral do Nordeste em 2019, considerado um dos maiores desastres ambientais já registrados no Atlântico Sul.
Naquele episódio, limitações no acesso rápido a informações de rastreamento dificultaram a identificação de possíveis embarcações envolvidas, e a Marinha do Brasil, na condição de Autoridade Marítima, iniciou estudos técnicos e jurídicos para propor mudanças no funcionamento do sistema LRIT.
Impactos para segurança, meio ambiente e economia
Especialistas em segurança marítima apontam que a mudança fortalece a consciência situacional marítima, conceito ligado à capacidade de identificar riscos, monitorar tráfego naval e responder rapidamente a incidentes.
Com dados mais acessíveis, países costeiros poderão melhorar ações de busca e salvamento, combate a crimes marítimos e monitoramento ambiental em grandes áreas oceânicas, reduzindo custos e tempo de resposta.
Diplomacia brasileira e repercussão internacional
A articulação diplomática conduzida pela Representação Permanente do Brasil junto à IMO (RPB-IMO) consolidou o país como ator de peso no debate sobre segurança marítima.
Durante os debates no MSC 111, o representante brasileiro, Almirante de Esquadra (Reserva) Claudio Henrique Mello de Almeida, destacou que a ampliação do acesso ao sistema contribuirá para transformar a consciência situacional marítima em um benefício global, e não restrito a poucos países com maior capacidade financeira.
Analistas de defesa e segurança marítima avaliam que a aprovação reforça o papel estratégico do Brasil na governança dos oceanos e na proteção do Atlântico Sul, em um contexto de crescimento do comércio marítimo, pressões geopolíticas e desafios ambientais.
Quem se beneficia e próximos passos
Além do Brasil, a mudança beneficia países em desenvolvimento altamente dependentes do comércio marítimo internacional, ao reduzir custos e ampliar a troca de informações.
A implementação prática exigirá ajustes técnicos e coordenação entre autoridades nacionais e centros regionais de recebimento de dados, mas a decisão cria um cenário mais inclusivo para o monitoramento marítimo global, com potencial de prevenção de acidentes ambientais e fortalecimento da fiscalização marítima.


