Visita do General Luiz Gonzaga Viana Filho valida treinos do CIGS e da Jungle Warfare Mobile Training Team, aplicando a doutrina de selva em operações de paz complexas na região de Ituri
A presença de militares brasileiros na missão da ONU no Congo demonstra a transposição prática da doutrina de selva desenvolvida na Amazônia para cenários africanos. Atividades operacionais no Setor Norte da MONUSCO envolveram tropas treinadas especificamente para operar em terrenos de densa vegetação e baixa infraestrutura.
Durante a visita oficial, o Comandante Militar da Amazônia, General Luiz Gonzaga Viana Filho, acompanhou ações conduzidas por equipes capacitadas pelo CIGS e pela Jungle Warfare Mobile Training Team, foco da transferência de know‑how brasileiro para a ONU.
O emprego dessa experiência mostra como a doutrina de selva se tornou um ativo estratégico, tanto para a eficiência das operações quanto para a imagem internacional do Brasil, com impacto em capacitação, logística e proteção de civis, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Treinamento, capacidades e aplicação prática
A Jungle Warfare Mobile Training Team conduz treinamentos sobre sobrevivência, progressão em terreno hostil, combate aproximado, navegação terrestre e liderança em ambiente de selva. Essas habilidades são críticas em setores como Ituri, no leste da República Democrática do Congo, onde fatores climáticos e a densidade vegetal elevam o grau de dificuldade das operações.
O Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus, fornece a base doutrinária e técnica para esses treinamentos. Como registrado, “Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), sediado em Manaus, é reconhecido internacionalmente como um dos mais avançados centros de formação em combate em selva do mundo“, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Além disso, militares de contingentes como os nepaleses aplicaram o treinamento em operações reais da MONUSCO, evidenciando a utilidade prática da transferência de técnicas e procedimentos.
Interoperabilidade entre contingentes multinacionais
Um dos objetivos explícitos do treinamento brasileiro é padronizar procedimentos de mobilidade, patrulhamento e reação em áreas remotas. Essa padronização reduz riscos e aumenta a eficiência tática das tropas da ONU, elevando a capacidade de atuação conjunta.
O exercício no Setor Norte foi também uma oportunidade de avaliar a adaptação de doutrinas e equipamentos, e de reforçar a coordenação entre forças de diferentes países diante de ameaças irregulares e desafios humanitários.
Diplomacia militar e projeção do Brasil
A atuação brasileira na MONUSCO tem efeito direto sobre o soft power do país, ampliando intercâmbios acadêmicos e oportunidades de cooperação estratégica. Para os militares envolvidos, o intercâmbio operacional representa aprendizado em logística de campanha, coordenação multinacional e liderança em crises.
Segundo a cobertura, “militares de dezenas de países já participaram de cursos conduzidos pelo Brasil nas últimas décadas“, afirmação que ilustra a difusão internacional da experiência amazônica, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Desafios e lições para o futuro
As missões modernas exigem tropas preparadas para ambientes de elevada instabilidade, com presença de grupos armados e complexidade humanitária. A adaptação da doutrina de selva a contextos como Ituri demonstra que especialização por bioma pode ser decisiva em operações contemporâneas.
O retorno desse conhecimento ao Brasil também alimenta atualização doutrinária e modernização dos métodos de instrução, fortalecendo a capacidade de pronta resposta das tropas nacionais e consolidando o papel do país como parceiro relevante das Nações Unidas.


