quarta-feira
27 maio

Exército negocia artilharia antiaérea italiana, Centauro II e SARP armados com Itália, busca modernização, transferência de tecnologia e reforço da defesa aérea nacional

Encontro em Brasília tratou da compra do sistema de Artilharia Antiaérea de Média Altura/Médio Alcance, do blindado Centauro II e de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas armados

O Exército Brasileiro deu mais um passo nas negociações estratégicas com a Itália em busca de modernização das capacidades terrestres.

Em 20 de maio de 2026, o Comando Logístico discutiu a aquisição de sistemas considerados prioritários, entre eles a artilharia antiaérea e veículos blindados.

As conversas também abordaram transferência de tecnologia e cooperação industrial, pontos vistos como essenciais para a Base Industrial de Defesa brasileira, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.

O que foi tratado na reunião

A reunião bilateral ocorreu no Quartel-General do Exército e reuniu representantes do Ministério da Defesa italiano e oficiais-generais brasileiros.

O Comando Logístico, COLOG, discutiu diretamente a compra do sistema de Artilharia Antiaérea de Média Altura/Médio Alcance, das viaturas blindadas Centauro II e de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas, SARP, armados de categoria 3.

O encontro contou com a presença do General de Exército RIBEIRO, comandante do COLOG, e do Major General CASALI, diretor de Política Industrial e Relações Internacionais do Ministério da Defesa italiano.

Ao final, as partes qualificaram as conversas como, “franco, construtivo e pragmático”, segundo registro da reunião.

Por que a artilharia antiaérea italiana é prioridade

O interesse pela artilharia antiaérea italiana responde a uma lacuna histórica na defesa aérea terrestre do Brasil, especialmente diante do aumento do uso de drones e mísseis de cruzeiro.

Especialistas apontam que sistemas de Média Altura/Médio Alcance preenchem a necessidade de cobertura contra aeronaves de baixa assinatura radar e ameaças remotas, melhorando a proteção de pontos sensíveis e operações em fronteiras.

A adoção de um sistema eficaz de defesa aérea terrestre também exige integração com sensores, radares e plataformas de comando e controle para formar uma defesa aérea integrada e resiliente.

Centauro II e o ganho de mobilidade e poder de fogo

A viatura blindada Centauro II, produzida pelo consórcio italiano CIO, surge como alternativa para modernizar a Cavalaria mecanizada do Exército.

O veículo 8×8, equipado com canhão de 120 mm, oferece maior mobilidade estratégica e capacidade de engajamento de alvos blindados a longa distância, características valorizadas em operações de alta intensidade.

A incorporação do Centauro II também implica mudança na doutrina e nos treinamentos, com foco em manutenção, logística e táticas de emparelhamento entre blindados, artilharia e defesa aérea.

Drones armados, indústria e transferência de tecnologia

O interesse nos SARP armados de categoria 3 acompanha uma tendência global de uso de drones para vigilância, reconhecimento e apoio de fogo.

Negociações desse tipo costumam incluir cláusulas sobre transferência de tecnologia, manutenção local e participação de empresas nacionais na cadeia produtiva, o que pode beneficiar a Base Industrial de Defesa brasileira.

Analistas destacam que acordos com parceiros como a Itália podem gerar empregos qualificados e fortalecer fornecedores locais, porém dependem de acordos detalhados sobre offset e capacitação técnica.

Contexto geopolítico e próximos passos

No plano estratégico, a aproximação com a Itália é vista como parte da busca por parceiros tecnológicos capazes de entregar soluções modernas e cooperação industrial.

Fontes internas e analistas de Defesa observam que experiências em teatros recentes de conflito ressaltaram a importância da defesa aérea integrada, drones armados e blindados com alta mobilidade.

As negociações agora avançam para fases técnicas e comerciais, com a possibilidade de acordos que definam prazos, modalidades de compra e conteúdos de transferência de tecnologia, pontos que influenciarão o impacto final para as Forças Armadas e a indústria nacional.

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