Crescimento sustentado por C-UAS, radares inteligentes, guerra eletrônica e investimentos de OTAN, Oriente Médio e Ásia-Pacífico, com impacto para a indústria brasileira
A combinação entre drones, munições vagantes e algoritmos de inteligência artificial está remodelando o mercado de defesa antiaérea em escala global.
Setores públicos e privados aceleram compras e pesquisa para detectar, rastrear e neutralizar enxames de sistemas não tripulados, com soluções que vão de radares inteligentes a interceptadores de baixo custo.
O movimento já tem números: segundo estimativas de mercado, o setor avança de US$ 22,58 bilhões em 2025 para US$ 42,47 bilhões em 2035, com uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 6,52% entre 2025 e 2035, conforme informação divulgada pela Market Research Future (MRFR).
Crescimento e números do mercado
Os dados divulgados pela Market Research Future mostram que o salto de US$ 22,58 bilhões em 2025 para US$ 42,47 bilhões em 2035 reflete a proliferação de ameaças aéreas de baixo custo, e a necessidade de soluções capazes de detectar e neutralizar múltiplos vetores.
A cifra inclui investimentos de países da OTAN, do Oriente Médio e da Ásia-Pacífico, regiões que lideram a corrida por tecnologias de nova geração na área de defesa antiaérea.
C-UAS, IA e a nova arquitetura de defesa
Os sistemas C-UAS despontam como o segmento de crescimento mais acelerado, porque respondem diretamente à difusão de drones comerciais e militares usados em operações ofensivas e de vigilância.
A próxima geração de defesa aérea combina radares inteligentes, guerra eletrônica, comando e controle em rede e algoritmos de inteligência artificial capazes de identificar e classificar ameaças em tempo real, com o objetivo de responder simultaneamente a múltiplos vetores.
Grandes empresas como RTX Corporation, Lockheed Martin, Northrop Grumman, BAE Systems, Thales Group e Saab concentram investimentos em sensores avançados e plataformas integradas apoiadas por IA.
Impacto para infraestrutura crítica e cadeia industrial
A preocupação não é apenas militar, porque aeroportos, usinas elétricas, refinarias e portos passaram a exigir camadas adicionais de proteção contra drones adaptados para missões ofensivas.
Esse cenário estimula cadeias produtivas de alto valor agregado ligadas à inteligência artificial, processamento de dados, sensores e sistemas autônomos, gerando empregos especializados e ampliando investimentos em pesquisa e inovação.
O Brasil, oportunidades e desafios
No Brasil, a Base Industrial de Defesa identifica oportunidades no segmento de drones interceptadores, e empresas nacionais já apresentam conceitos para defesa ativa contra sistemas não tripulados.
Projetos apresentados por empresas como TRL9 e Taurus em eventos como INOVAERO e o Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre mostram intenção de disputar um mercado tecnológico em expansão.
O desafio brasileiro vai além da compra de equipamentos, e inclui construir uma arquitetura integrada de defesa antiaérea que combine radares, guerra eletrônica, drones interceptadores e inteligência artificial em um ecossistema interoperável e adaptado às necessidades estratégicas nacionais.
Conflitos recentes, como os na Ucrânia, no Oriente Médio e no Cáucaso, demonstraram que drones fabricados em larga escala podem desafiar sistemas antiaéreos tradicionais baseados em interceptadores de alto custo unitário, e isso reforça a prioridade por soluções C-UAS e interceptadores de menor custo.
Em síntese, a transformação tecnológica em curso deve redirecionar investimentos, prioridades operacionais e políticas de aquisição, e colocar a defesa antiaérea baseada em IA e C-UAS no centro das estratégias de segurança dos próximos anos.


