Evento da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada aprofunda debate sobre minerais críticos e terras raras, equilíbrio geopolítico, segurança de suprimentos e desenvolvimento econômico
A discussão sobre **minerais críticos e terras raras** ocupou o centro da II Jornada de Estudos Estratégicos promovida pela 7ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Natal, Rio Grande do Norte.
Representantes das Forças Armadas, da academia, da indústria e de órgãos governamentais debateram os desafios para transformar reservas minerais em vantagem tecnológica e econômica para o Brasil.
Os participantes enfatizaram a necessidade de integrar pesquisa, processamento industrial e políticas de segurança para garantir suprimentos estratégicos ao setor de defesa e à indústria nacional,
conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco
Por que minerais críticos e terras raras são estratégicos
Os chamados **minerais críticos** sustentam tecnologias avançadas, desde semicondutores e baterias até radares e sistemas de comunicação militar.
As **terras raras**, grupo composto por 17 elementos químicos, são essenciais para motores de aeronaves, sensores, mísseis guiados, turbinas eólicas e componentes eletrônicos.
Especialistas explicaram que a digitalização e a transição energética aumentaram a demanda por esses insumos, transformando-os em fatores centrais da geopolítica tecnológica.
O potencial do Brasil e o diferencial da cadeia produtiva
O Brasil reúne reservas relevantes, incluindo nióbio, lítio, grafite, níquel, cobalto e terras raras, o que coloca o país em posição estratégica no cenário internacional.
Em relação ao nióbio, o material foi citado como exemplo, já que o país, segundo os debatedores, detém mais de 90% das reservas conhecidas mundialmente, o que evidencia um ativo geoeconômico singular.
No entanto, os participantes ressaltaram que a simples existência de reservas não basta, é preciso desenvolver pesquisa, capacidade de beneficiamento e indústria de ponta para agregar valor.
Defesa, segurança de suprimentos e inovação
A segurança de suprimentos ganhou destaque como prioridade para a Defesa, porque interrupções em cadeias globais podem comprometer sistemas militares e infraestrutura crítica.
Forças Armadas de outras nações, como Estados Unidos, União Europeia, Japão e Austrália, têm investido em diversificação e produção doméstica, estratégia que foi apresentada como referência durante o encontro.
Para o Brasil, garantir acesso seguro a insumos minerais é visto como condição para fortalecer a Base Industrial de Defesa e alcançar maior autonomia tecnológica.
Integração entre Defesa, academia e indústria e caminhos sustentáveis
A Jornada reforçou a importância da cooperação entre instituições militares, universidades, centros de pesquisa e empresas privadas para criar cadeias produtivas completas.
Os debatedores defenderam aumento de investimentos em ciência, tecnologia e qualificação profissional, para que o aproveitamento dos recursos gere empregos qualificados e atraia investimentos.
Ao mesmo tempo, foi enfatizado que a exploração deve seguir critérios de sustentabilidade ambiental, respeito às comunidades locais e inovação, para evitar impactos negativos e consolidar uma estratégia de longo prazo.
O encontro em Natal marcou um passo para colocar a questão dos **minerais críticos e terras raras** no centro da agenda de defesa e desenvolvimento, ampliando o diálogo sobre como o Brasil pode transformar recursos naturais em vantagem estratégica e industrial.


