O Brasil intensifica desenvolvimento de inteligência artificial para a Defesa, com foco em soberania tecnológica, integração entre sensores e uso de dados para decisões mais rápidas
As Forças Armadas brasileiras já tratam a inteligência artificial para a Defesa como prioridade, com dezenas de projetos em andamento no Exército, na Marinha e na Força Aérea.
As iniciativas buscam desde o controle de enxames de drones até manutenção preditiva e vigilância da Amazônia Azul, com apoio de universidades e laboratórios nacionais.
Os projetos têm sido apresentados como parte de uma estratégia para reduzir dependência externa e aumentar a prontidão operacional, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Exército aposta em enxames de drones e sistemas autônomos
Entre os programas mais avançados está o Sistema Enxame de Drones EVAAT-GCN, desenvolvido pelo Instituto Militar de Engenharia, sob coordenação do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército.
O objetivo é permitir que múltiplos drones aéreos e terrestres operem de forma colaborativa, compartilhando informações em tempo real e tomando decisões distribuídas durante missões de reconhecimento e vigilância.
Somente o Exército mantém 48 projetos de pesquisa financiados pela FINEP, abrangendo áreas como IA, robótica, defesa cibernética, radares e tecnologias quânticas., conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
O projeto EVAAT-GCN conta com apoio de instituições como a Universidade Federal de Pernambuco, o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada e o Laboratório Nacional de Computação Científica.
Marinha amplia vigilância da Amazônia Azul com visão computacional
A Marinha tem investido em sistemas de visão computacional e aprendizado de máquina para análise automática de imagens e vídeos operacionais.
Esses algoritmos ajudam na identificação de embarcações, no reconhecimento de padrões e no monitoramento de áreas estratégicas, integrando sensores, radares e plataformas de dados.
O fortalecimento da vigilância da Amazônia Azul é tratado como prioridade, com o uso de inteligência artificial para a Defesa como ferramenta para proteger recursos naturais e rotas comerciais.
FAB foca em manutenção preditiva e apoio à decisão
A Força Aérea Brasileira tem concentrado esforços no seu Laboratório de Inteligência Artificial, desenvolvendo simulações de cenários operacionais e sistemas de apoio à decisão.
Uma aplicação direta é a manutenção preditiva de aeronaves, em que algoritmos analisam grandes volumes de dados operacionais para identificar padrões e prever falhas antes que ocorram.
Essas soluções prometem reduzir custos de manutenção e aumentar a disponibilidade dos meios aéreos, além de otimizar processos administrativos e logísticos.
Soberania, dados e infraestrutura como desafios centrais
Em eventos internacionais, representantes brasileiros ressaltaram que dados, algoritmos e infraestrutura computacional têm valor estratégico equivalente a sistemas de armas convencionais.
A Capitão de Mar e Guerra Kelli de Faria Cordeiro defendeu que o treinamento de modelos de IA voltados à Defesa deve ocorrer em ambientes nacionais controlados, garantindo soberania total sobre os dados utilizados, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Especialistas também apontam que a qualidade das bases de dados, a governança da informação e o acesso a processadores avançados serão determinantes para o sucesso desses projetos.
O uso crescente de sistemas autônomos, análise massiva de dados e integração entre sensores mostra que a guerra do futuro será cada vez mais digital, e que a inteligência artificial para a Defesa pode ser um diferencial estratégico para o Brasil.


