Lançamento em Itajaí marca avanço do Programa Fragatas Classe Tamandaré, com integração de sensores, provas de mar e impacto industrial nacional
A Marinha do Brasil deu mais um passo decisivo para o fortalecimento do Poder Naval com o lançamento ao mar e o batismo da Fragata Cunha Moreira (F202), terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré.
A cerimônia, realizada em Itajaí, Santa Catarina, reuniu autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Defesa José Múcio Monteiro e o comandante da Força, almirante Marcos Sampaio Olsen, em um ato que simboliza a importância estratégica do projeto.
O evento marca o início da fase de instalação e integração de sensores, armamentos e sistemas eletrônicos, antes de extensas provas de mar e da Mostra de Armamento prevista para fevereiro de 2028, conforme informações divulgadas pela Marinha do Brasil.
Capacidades da embarcação e missão
A Fragata Cunha Moreira tem 107 metros de comprimento e reúne sistemas integrados de combate, radares multifuncionais, mísseis antinavio e canhões navais modernos. A embarcação foi projetada para operações antissubmarino, antiaéreas e de guerra de superfície, o que eleva a capacidade de dissuasão da Marinha.
Além de suas capacidades bélicas, a fragata terá como principal missão a proteção da Amazônia Azul, área marítima de aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados, que concentra riquezas estratégicas, incluindo reservas do pré-sal, ilhas oceânicas e rotas essenciais ao comércio exterior do país.
Fases seguintes e cronograma
Após o batismo conduzido por Marcela Olsen, madrinha do navio, a embarcação entra na etapa de instalação e integração dos sistemas embarcados, seguida por provas de mar. A Mostra de Armamento está prevista para fevereiro de 2028.
A Cunha Moreira integra o primeiro lote do Programa Classe Tamandaré, junto com a Tamandaré (F200), já incorporada à Esquadra, a Jerônimo de Albuquerque (F201) e a futura Mariz e Barros (F203), com lançamento previsto para novembro deste ano. A expectativa da Marinha é concluir as quatro embarcações até 2029 e avançar para um segundo lote posteriormente.
Impacto industrial e geração de empregos
O Programa Tamandaré é executado pela SPE Águas Azuis, formada por TKMS, Embraer e Atech, e é apontado como um dos maiores projetos de transferência tecnológica da história da indústria naval brasileira.
Segundo dados apresentados durante a cerimônia, o projeto já contribuiu para a geração de aproximadamente 23 mil empregos diretos e indiretos. Cerca de 1.000 empresas nacionais participam direta ou indiretamente da cadeia produtiva, movimentando setores como metalurgia, eletrônica, software, engenharia naval e telecomunicações.
A construção integral das fragatas em território nacional também impulsiona a formação de mão de obra especializada, com técnicos e engenheiros absorvendo processos complexos que antes dependiam majoritariamente de fornecedores estrangeiros, ampliando a autonomia tecnológica do país.
Memória e simbolismo
A denominação Cunha Moreira homenageia Luís da Cunha Moreira, primeiro ministro da Marinha nomeado por Dom Pedro I após a Independência do Brasil. Militar e estadista, ele teve papel fundamental na consolidação das estruturas navais do Império, tornando-se figura histórica na construção do poder marítimo nacional.
Cada nova fragata incorporada significa não apenas maior capacidade militar, mas também um investimento de longo prazo em soberania, inovação tecnológica e segurança nacional, com reflexos diretos na Base Industrial de Defesa e na economia regional onde os estaleiros e fornecedores atuam.
O lançamento da Fragata Cunha Moreira reafirma o compromisso da Marinha e do governo com a proteção da Amazônia Azul e com a modernização das capacidades navais brasileiras, enquanto o Programa Tamandaré segue como vetor de desenvolvimento industrial e de transferência tecnológica para o país.


