quarta-feira
17 junho

Geopolítica na formação naval: 260 Guardas-Marinha no CIAW aprofundam cenários globais, Amazônia Azul, ZOPACAS, drones, PROSUB e modernização das Forças

Continuação da pauta, a palestra abordou a disputa entre grandes potências, conflitos regionais e o impacto de tecnologias como inteligência artificial e drones nos cenários estratégicos

Uma formação que vai além da técnica foi o tom da atividade realizada para os futuros oficiais, com foco na importância da geopolítica para decisões operacionais e estratégicas.

O encontro reuniu 260 Guardas-Marinha do Curso de Formação de Oficiais (CFO/2026), e trouxe análise sobre ameaças, alianças e inovações que moldam o ambiente internacional.

A apresentação, intitulada A Conjuntura Internacional Contemporânea, foi ministrada pelo professor Capitão de Mar e Guerra (RM1) Leonardo Faria de Mattos, da Escola de Guerra Naval, conforme informação divulgada pelo Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW).

Principais desafios e a visão estratégica

Na exposição foram identificados fatores que intensificam a complexidade global, entre eles a competição entre grandes potências, os conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Essa análise de geopolítica busca oferecer aos Guardas-Marinha um quadro capaz de orientar decisões relativas à segurança nacional, projeção naval e proteção de interesses econômicos no mar.

Os alunos foram estimulados a entender como reconfigurações de alianças e rivalidades tecnológicas afetam desde o planejamento até ações concretas da Marinha em operações e exercícios multilaterais.

Tecnologia, drones e o novo modo de fazer guerra

O avanço de sistemas autônomos, drones, inteligência artificial, guerra eletrônica e capacidades cibernéticas foi destacado como fator transformador das operações militares contemporâneas.

Foram debatidos exemplos recentes em que drones ampliaram a coleta de informações, reduziram custos e mudaram a dinâmica de combate, impondo novos requisitos de treino e doutrina para oficiais da marinha.

Essa ênfase em tecnologia reforça a necessidade de integração entre ensino técnico e reflexão estratégica, para que futuros comandantes saibam empregar ferramentas digitais em um ambiente operacional cada vez mais interconectado.

Interesses nacionais, Amazônia Azul e Atlântico Sul

Entre os temas com impacto direto no país, a palestra aprofundou questões sobre a Amazônia Azul, área marítima de grande relevância econômica e ambiental para o Brasil.

Também foram debatidas iniciativas regionais, como a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, ZOPACAS, e a importância do Atlântico Sul para a segurança das rotas comerciais e da projeção brasileira.

A formação busca equipar os Guardas-Marinha com capacidade para avaliar riscos e oportunidades na proteção de recursos, infraestrutura crítica e na defesa da soberania marítima.

Programas estratégicos e modernização naval

Foram apresentados projetos de longo prazo que influenciam a atuação da Marinha, entre eles as Fragatas Classe Tamandaré, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, PROSUB, e o Programa Antártico Brasileiro, PROANTAR.

Esses programas representam esforços para modernizar a Força Naval e aumentar a capacidade de atuação em áreas críticas, exigindo de oficiais formação técnica e compreensão da geopolítica que orienta cada iniciativa.

Ao integrar discussões sobre tecnologia, cenários globais e prioridades nacionais, a atividade no CIAW reforçou que a competência em geopolítica é indispensável para quem vai assumir funções de comando, planejamento e assessoramento estratégico na Marinha do Brasil.

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