No 1º Seminário do Programa 9 – FNDCT, o IME apresentou projetos que unem comunicação quântica, enxa meamento robótico, navegação inercial e sensores para reforçar a autonomia tecnológica
O Instituto Militar de Engenharia expôs projetos voltados a tecnologias quânticas e sistemas autônomos durante o 1º Seminário de Avaliação de Projetos do Programa de Promoção da Autonomia Tecnológica na Área da Defesa, Programa 9 – FNDCT, realizado na sede da FINEP, no Rio de Janeiro.
As iniciativas do IME abrangem áreas prioritárias para a Defesa Nacional, incluindo comunicação quântica, robótica em enxame, navegação de precisão, radares contrabateria e camuflagem multiespectral, temas com grande potencial dual, civil e militar.
As apresentações reuniram representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, das Forças Armadas e de instituições de pesquisa, conforme informação divulgada pelo IME durante o seminário da FINEP.
Tecnologias quânticas, criptografia e proteção de comunicação
Um dos destaques foi o projeto Quantum II – Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologias Quânticas para Segurança e Defesa Nacional, coordenado pelo professor Fernando Manuel Araujo Moreira.
O programa concentra esforços em comunicação e criptografia quântica, áreas que podem elevar significativamente a segurança na transmissão de informações estratégicas, diante do avanço da computação de alto desempenho e das ameaças cibernéticas.
Ao desenvolver competências em tecnologias quânticas, o país amplia sua capacidade de proteger dados sensíveis e reduz a dependência de equipamentos estrangeiros em uma fronteira tecnológica considerada crítica.
Enxames e sistemas autônomos para operações coordenadas
Outro projeto em evidência foi o EVAAT-GCN – Enxame de Veículos Autônomos Aéreos e Terrestres: Guiamento, Controle e Navegação, realizado em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco.
A proposta prevê um demonstrador tecnológico para empregar veículos terrestres e aéreos de forma coordenada, permitindo que múltiplos robôs compartilhem informações em tempo real e executem tarefas complexas de forma colaborativa.
As aplicações incluem reconhecimento, vigilância, monitoramento de áreas sensíveis e apoio logístico, reduzindo a exposição de militares, além de usos civis em segurança pública, agricultura e gestão de desastres.
Navegação inercial, radares contrabateria e camuflagem multiespectral
O IME também participa do SNIDR – Sistema de Navegação Inercial para Dinâmicas Rápidas, em cooperação com o Centro Tecnológico do Exército, projeto que busca posicionamento preciso quando sinais de satélite estão indisponíveis ou comprometidos.
Na área de sensoriamento, destaca-se o DTCBia02 – P&D do Radar Contrabateria Multifunção – Etapa 2, voltado à detecção e localização de disparos inimigos, ampliando a consciência situacional em campo.
Para reduzir assinatura de plataformas, o IME integra o PDTECM – Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologias para Emprego em Camuflagem Multiespectral, que visa soluções capazes de dificultar a detecção por sensores modernos em diferentes faixas do espectro eletromagnético.
Impacto na Base Industrial de Defesa e soberania tecnológica
Os projetos apresentados no seminário reforçam o esforço brasileiro para fortalecer a Base Industrial de Defesa por meio da ciência, tecnologia e inovação, prioridades para a autonomia tecnológica do país.
Instituições como o IME conectam pesquisa acadêmica e demandas operacionais das Forças Armadas, contribuindo para a formação de recursos humanos qualificados e para a consolidação de competências essenciais à soberania.
Ao investir em tecnologias quânticas e sistemas autônomos, o Brasil busca reduzir vulnerabilidades a restrições externas e ampliar sua capacidade de desenvolver soluções estratégicas, com impacto na defesa e em setores civis.
As iniciativas do IME, apresentadas no evento promovido pela FINEP, mostram uma agenda ampla que combina inovação, cooperação institucional e foco em aplicações práticas para a segurança e a defesa nacionais.


