Seminário em Brasília analisou como a inteligência artificial, guerra cibernética, ambiente eletromagnético e operações multidomínio moldam a guerra do futuro e a modernização do Exército
O Estado-Maior do Exército reuniu representantes das Forças Armadas, do Ministério da Defesa e da academia para debater a guerra do futuro e os caminhos de modernização da Força Terrestre.
As discussões focaram em tecnologias como Inteligência Artificial, sistemas autônomos, operações cibernéticas e no conceito multidomínio, com impacto direto no planejamento e na doutrina.
Os organizadores destacaram que o Exército avança do Pró-Força para o planejamento da Força 40, como parte de uma transformação permanente da instituição, conforme informação divulgada pelo Estado-Maior do Exército.
Guerra multidomínio e o novo ambiente operacional
Os participantes definiram que a guerra do futuro não se limita mais ao campo de batalha convencional, ela integra os domínios terrestre, marítimo, aéreo, espacial, cibernético, eletromagnético e cognitivo.
Essa visão multidomínio exige coordenação contínua entre capacidades militares distintas, com ênfase na interoperabilidade e no intercâmbio rápido de informação.
Segundo os debatedores, dominar o ambiente informacional e o espaço cibernético será tão importante quanto a superioridade no terreno, para garantir vantagem estratégica em conflitos futuros.
Inteligência Artificial, sistemas autônomos e transformação das operações
O seminário reforçou que a Inteligência Artificial e os sistemas autônomos estão reconfigurando processos de comando e controle, inteligência, aquisição de alvos e apoio à decisão.
Especialistas ressaltaram a necessidade de atualização doutrinária e investimentos em pesquisa e inovação para incorporar essas tecnologias de forma segura e eficaz.
Em sua fala de abertura, o Chefe do Estado-Maior do Exército, General de Exército Francisco Humberto Montenegro Júnior, afirmou, “Temos de nos adaptar aos novos cenários e estamos conduzindo um processo de transformação que, na realidade, já faz parte do desenvolvimento da Instituição. Hoje, estamos vivendo a fase final do Pró-Força, previsto inicialmente para vigorar até 2030, mas já avançamos com a Força 40. Isso demonstra que o Exército Brasileiro está em constante evolução.”
Capacidades para enfrentar ameaças híbridas e cibernéticas
Os debatedores concordaram que o atual ambiente estratégico combina ameaças convencionais e não convencionais, incluindo ataques cibernéticos, campanhas de desinformação e ações de organizações criminosas transnacionais.
Para responder, foi apontada a necessidade de fortalecer a superioridade informacional, a defesa cibernética e os sistemas de comando e controle, além de atualizar os recursos humanos da Força.
A adoção de tecnologias disruptivas e a preparação para operações híbridas foram destacadas como prioridades para manter a prontidão operacional no contexto da guerra do futuro.
Integração entre Forças, Ministério da Defesa e academia
O seminário também enfatizou a colaboração entre Exército, Marinha, Força Aérea, Ministério da Defesa e universidades para incorporar estudos prospectivos e inovação ao planejamento estratégico.
Essa aproximação facilita a formação de militares preparados para ambientes complexos, onde informação, rapidez na tomada de decisão e tecnologia são fatores decisivos.
Ao definir a transformação como um processo contínuo, os debatedores concluíram que a modernização da Força Terrestre passa pela combinação entre aquisição de meios, desenvolvimento tecnológico, atualização doutrinária e valorização do capital humano.
Ao longo das sessões, ficou claro que a construção de capacidade para a guerra do futuro exige planejamento de longo prazo, como o trabalho em curso na transição do Pró-Força para a Força 40, e investimentos em áreas como Inteligência Artificial, ciberdefesa e interoperabilidade entre domínios.


