Nova pós-graduação do Ipeam em Manaus articula pesquisa, Defesa e desenvolvimento sustentável, com ensino híbrido entre Manaus e o IME do Rio de Janeiro
O Instituto de Pesquisa do Exército na Amazônia iniciou, no começo de agosto, sua primeira turma de pós-graduação em Manaus, com foco em desafios estratégicos da região.
A formação combina atividades presenciais em Manaus e aulas síncronas com o Instituto Militar de Engenharia, promovendo interação entre os centros acadêmicos do Norte e do Sudeste.
As propostas incluem monitoramento com inteligência artificial, tecnologias quânticas, defesa cibernética, biotecnologia e transição energética, visando integrar pesquisa e necessidades locais, conforme informação divulgada pelo Instituto de Pesquisa do Exército na Amazônia (Ipeam).
Seleção da primeira turma e o perfil dos aprovados
O primeiro processo seletivo recebeu 83 candidatos, todos civis. Ao final da seleção, 24 estudantes foram aprovados, sendo 10 para o mestrado, 10 para o doutorado e quatro para o pós-doutorado. A presença majoritária de civis destaca a vocação do Ipeam para formar pesquisadores ligados tanto à Defesa quanto à sociedade civil.
Segundo o comandante do Ipeam, Coronel Bruno Costa Marinho, o instituto foi criado para desenvolver soluções relacionadas aos problemas enfrentados tanto pelo Exército quanto pela sociedade amazônica.
Infraestrutura, parcerias locais e expansão prevista
O Ipeam funciona em uma estrutura do Centro de Coordenação Geral do Sistema de Proteção da Amazônia, Censipam, o que aproxima o instituto de órgãos diretamente envolvidos no monitoramento da região.
Atualmente, o espaço possui 700 metros quadrados, dos quais 350 já estão ocupados no primeiro andar. A estrutura reúne laboratório de inteligência artificial, sala de aula, biblioteca, sala de pesquisadores e sala de videoconferência.
Estão em andamento adaptações no segundo andar, com a expectativa de dobrar a infraestrutura física até o final de 2026, o que deve ampliar laboratórios e áreas de convivência acadêmica.
Rede acadêmica em Manaus e apoio de professores locais
O Ipeam estabeleceu conexões com universidades e centros de pesquisa de Manaus para fortalecer a formação e a orientação das linhas de investigação.
O instituto possui um banco de dados com 34 professores voluntários de instituições como Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Fiocruz e Colégio Militar de Manaus. Esses profissionais podem atuar como coorientadores e ampliar a integração entre o sistema de ensino militar e a comunidade científica regional.
Linhas de pesquisa, projetos e apoio financeiro
A primeira turma está distribuída em cinco áreas temáticas, com propostas aplicadas à realidade amazônica, entre elas monitoramento da Amazônia com inteligência artificial e transição energética, voltada ao estudo do hidrogênio verde e à gestão de fontes de energia.
Entre os projetos está o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial para integrar dados de satélites, LIDAR, radares e drones, com o objetivo de ampliar a vigilância da fronteira e reduzir a dependência de respostas apenas após ocorrências.
A dimensão territorial da Amazônia é um dos desafios centrais, pois a fronteira amazônica possui mais de 11 mil quilômetros, o que torna inviável depender exclusivamente da presença física de pessoas para seu controle, segundo avaliação do instituto.
A formação dos pesquisadores conta com bolsas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e da Capes. A previsão é chegar a 89 alunos até a conclusão do ciclo previsto, e uma nova seleção deverá ser realizada em 2027, embora ainda não exista data definida.
Para o comando do Ipeam, a proposta do instituto é contribuir para a Defesa, a soberania e o desenvolvimento sustentável da Amazônia, aproximando pesquisa científica, inovação tecnológica e necessidades concretas da região.
Ao unir estrutura física, parcerias acadêmicas, financiamento e linhas estratégicas de pesquisa, o Ipeam busca consolidar em Manaus um núcleo de formação e investigação que responda a problemas práticos da região, ao mesmo tempo em que integra capacidades científicas entre o Norte e o Rio de Janeiro.


