Ministro na ECEME, afirma que inteligência artificial exige planejamento de longo prazo, integração entre Defesa, diplomacia e inovação, e cita dados da Base Industrial de Defesa
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, fez uma palestra na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro, sobre os desafios estratégicos do país frente às transformações geopolíticas e tecnológicas.
Durante o evento, o debate abordou inteligência artificial, sistemas autônomos, drones, proteção de fronteiras, Amazônia Azul, espaço aeroespacial e o papel da Base Industrial de Defesa, com ênfase em planejamento de longo prazo.
O encontro reuniu militares, professores, alunos de altos estudos militares e representantes de nações amigas, conforme informação divulgada pelo Ministério da Defesa.
Geopolítica, tecnologia e a nova configuração dos riscos
Na apresentação, José Múcio afirmou que o ambiente internacional vive profundas transformações impulsionadas por disputas geopolíticas e inovação tecnológica. Ele ressaltou que acompanhar essas mudanças é essencial para manter capacidades compatíveis com os desafios do século XXI.
Foram destacados pontos como a aplicação da inteligência artificial na Defesa, a difusão de sistemas autônomos e drones, e a necessidade de continuidade de programas estratégicos. O ministro frisou que políticas de longo prazo são fundamentais para que o Brasil não perca competitividade tecnológica.
Proteção do território, Amazônia Azul e espaço aeroespacial
Outro eixo da fala foi a dimensão estratégica do território nacional, com atenção para as fronteiras terrestres, as águas jurisdicionais conhecidas como Amazônia Azul e o espaço aeroespacial. José Múcio lembrou que a vasta extensão territorial e a importância econômica do Brasil exigem políticas permanentes de fortalecimento das capacidades de Defesa.
O ministro também mencionou a proteção de infraestruturas estratégicas e a necessidade de integrar recursos humanos, tecnologia e planejamento para enfrentar riscos diversos, desde crimes transnacionais até disputas no espaço e no mar.
Base Industrial de Defesa, emprego qualificado e indústria nacional
José Múcio destacou a Base Industrial de Defesa, a BID, como um vetor de soberania tecnológica e desenvolvimento econômico. Segundo a apresentação, o setor atualmente reúne 292 Empresas Estratégicas de Defesa (EED) e 46 Empresas de Defesa (ED).
O ministro apresentou indicadores sobre a participação da BID no Produto Interno Bruto, geração de empregos qualificados e crescimento das exportações de produtos de defesa, e defendeu integração entre governo, indústria e instituições de ciência e tecnologia para ampliar essas capacidades.
Integração entre Defesa, diplomacia e inovação
No encerramento, José Múcio defendeu uma visão integrada das políticas públicas, ligando Defesa, diplomacia, economia e ciência. Ele destacou que a formação e qualificação de pessoal, além de investimentos em pesquisa e tecnologia, são decisivos para a continuidade dos programas estratégicos de Defesa.
A palestra reforçou o papel da ECEME como centro de reflexão sobre Defesa Nacional e geopolítica, e contou com a presença de autoridades do Exército, entre elas o General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, o General de Exército Ricardo José Nigri e o General de Exército Pedro Celso Coelho Montenegro.


