Preparação no Reino Unido segue para a fase visível, fotografias em Plymouth mostram o casco com o indicativo G350, e militares brasileiros do Grupo de Recebimento Charlie atuam em Devonport
A chegada do navio ao pavilhão brasileiro se aproxima, com obras e adaptações em curso no estaleiro de Devonport, no Reino Unido. O antigo HMS Bulwark passa por trabalhos finais enquanto recebe o indicativo G350 no casco.
O processo inclui não só a manutenção do casco e sistemas, como também a integração de equipes brasileiras a bordo, para adquirir rotinas operacionais e de manutenção essenciais à futura incorporação.
As ações envolvem militares designados pelo Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais em grupos como o Grupo de Recebimento Charlie, e a previsão é de que parte dessa equipe permaneça vinculada ao navio por pelo menos dois anos, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Imagens, identificação e confirmação oficial
Fotografias recentes feitas em Plymouth mostram o antigo navio britânico já ostentando no casco o indicativo G350, sinal claro de que a transição rumo à bandeira brasileira está avançada. A transferência foi confirmada oficialmente em 28 de agosto pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, que anunciou que o HMS Bulwark seguirá para a Marinha do Brasil.
O governo britânico destacou que o navio encerra cerca de duas décadas de história na Royal Navy, e que o Bulwark foi comissionado em 2005. Para o Brasil, essa saída da Royal Navy representa a oportunidade de incorporar uma plataforma de grande porte concebida para desembarque e suporte anfíbio.
Equipes brasileiras em Devonport e transferência de know‑how
A presença de militares brasileiros em Devonport não se limita a observação, ela é parte do plano de transferência de capacidade. Documentos publicados indicam a integração de brasileiros no Grupo de Recebimento Charlie do HMS Bulwark e em um Grupo de Apoio Técnico na Base Naval de Devonport.
Uma portaria do Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais determina que, depois da missão no Reino Unido, esses militares permaneçam no navio por pelo menos dois anos, para aplicar e disseminar os conhecimentos adquiridos. Há ainda previsão de atuação posterior na Diretoria Industrial da Marinha, ampliando o efeito multiplicador do treinamento.
O que o navio acrescentará à Marinha do Brasil
Projetado como Landing Platform Dock, LPD, o navio da classe Albion traz uma doca alagável que permite embarcar e projetar tropas, veículos e embarcações de desembarque rumo à costa. Essa capacidade difere de plataformas focadas apenas em aviação, ao combinar convôo para helicópteros e uma doca para embarcações.
Na prática, o futuro NDM Oiapoque oferecerá ao comandante opções para operar a partir do mar em situações de desembarque, apoio a operações anfíbias e missões de assistência humanitária, especialmente quando a infraestrutura portuária local é limitada.
Contexto estratégico e próximos passos
A transferência também ocorre em um momento de transformação da capacidade anfíbia britânica, com o Reino Unido e os Países Baixos avançando em um novo programa conjunto de navios de transporte anfíbio, e com a classe Albion deixando o serviço britânico.
Para o Brasil, os próximos passos contemplam concluir as obras em Devonport, completar a formação das equipes embarcadas, e planejar a logística de sustentação no país, considerando a complexidade de operar e manter uma plataforma desse porte.
Enquanto isso, fotos em Plymouth e a confirmação oficial dada em 28 de agosto mantêm a expectativa sobre a chegada do navio, e o trabalho conjunto entre técnicos britânicos e militares brasileiros em Devonport tende a ser decisivo para a rápida implementação operacional do futuro NDM Oiapoque.


