Projeto RQ-XBR, Suppressor, PRIMA e iniciativas do Exército aumentam vigilância aérea, marítima e terrestre, enquanto o Ministério da Defesa prioriza integração e transferência de tecnologia
Os sistemas não tripulados passaram a ocupar papel central nas políticas de defesa do Brasil, com programas focados em drones aéreos, marítimos e terrestres, e em reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.
Em encontro realizado na Escola Superior de Defesa, em Brasília, a Marinha, o Exército e a Força Aérea apresentaram projetos em andamento, capacidades operacionais e caminhos para ampliar a indústria nacional desses equipamentos.
O debate também tratou da formação de pessoal, de parcerias industriais e de integração entre as Forças, conforme informação divulgada pelo Ministério da Defesa.
Por que os sistemas não tripulados se tornaram prioridade
Segundo os organizadores do evento, a evolução dos conflitos internacionais transformou os drones em ferramentas essenciais para vigilância, inteligência e ação em múltiplos domínios. Na prática, isso significa combinar sensores, comunicações e autonomia para operações de longo alcance.
Conforme o material distribuído, “os sistemas não tripulados passaram a ocupar posição central na estratégia de defesa do Brasil diante das transformações dos conflitos modernos e da crescente importância da autonomia tecnológica“.
Também houve ênfase na necessidade de integrar esses projetos com a Base Industrial de Defesa, para que tecnologias desenvolvidas para o setor militar beneficiem pesquisa e inovação no país.
Marinha e a proteção da Amazônia Azul
A Marinha apontou os veículos autônomos de superfície como peça-chave para ampliar a capacidade de vigilância do SisGAAz, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, cobrindo vastas áreas marítimas com custos e riscos reduzidos.
Entre os projetos mencionados estão o Suppressor, veículo de superfície autônomo desenvolvido pela EMGEPRON, e o PRIMA, criado pelo Centro de Análises de Sistemas Navais, que transforma navios em estações remotas de controle para veículos não tripulados.
O PRIMA já foi empregado na prática durante a Operação de Garantia da Lei e da Ordem na Baía de Guanabara, em 2023, demonstrando aplicação operacional e potencial para missões rotineiras.
Exército amplia alcance com drones aéreos e veículos terrestres
O Exército já opera sistemas como o XMOBOT e o Nauru para reconhecimento e vigilância, e estuda a incorporação de drones armados de longo alcance. Ao mesmo tempo, investe em veículos terrestres não tripulados em parceria com empresas nacionais e estrangeiras.
Projetos com a Taurus, a Otokar e o grupo EDGE incluem transferência de tecnologia, o que permitirá que parte do conhecimento seja absorvida pela indústria nacional, e testes dos veículos terrestres estão previstos para a Operação Perseu ainda este ano.
Para o Exército, desenvolver essas capacidades é fundamental para reduzir vulnerabilidades tecnológicas em cenários futuros e garantir autonomia operacional.
Força Aérea quer drone 100% nacional com o RQ-XBR
A Força Aérea Brasileira opera desde 2009 o RQ-900, sistema remotamente pilotado de origem israelense baseado em Santa Maria, RS, com autonomia próxima de oito horas e alcance superior a mil quilômetros, e o empregou em missões como a Operação Taquari.
Além de operar sistemas importados, a FAB lançou o Projeto RQ-XBR para mapear empresas nacionais capazes de conceber uma aeronave remotamente pilotada totalmente brasileira, com prioridade em fortalecer a Base Industrial de Defesa.
Como afirmou o Major-Brigadeiro do Ar Frederico Casarino, a prioridade estratégica é desenvolver sistemas nacionais, reduzindo dependência externa e ampliando soberania tecnológica.
Desafios, integração e a aposta na indústria nacional
Autoridades do Ministério da Defesa ressaltaram que a rapidez das inovações, como inteligência artificial e autonomia, impõe maior integração entre as Forças para acelerar o desenvolvimento tecnológico e a adoção de sistemas não tripulados.
O Chefe de Operações Conjuntas afirmou que “o avanço da inteligência artificial, dos sistemas autônomos e de novas plataformas exige maior integração entre as Forças Armadas“, apontando para a necessidade de coordenação em pesquisa e operações.
O General de Brigada Gelson de Souza destacou que “tecnologias críticas militares dificilmente são compartilhadas por outros países, tornando indispensável o investimento nacional em pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologia“, reforçando a busca por contratos que incluam transferência de conhecimento.
O impulso em drones, sensores, comunicações e autonomia operacional, segundo o Ministério, deve fortalecer a Base Industrial de Defesa e gerar efeitos positivos para a ciência e a indústria brasileiras, ampliando a soberania tecnológica e a capacidade de ação das Forças Armadas.


