Expansão de 85,7% nos projetos em cinco anos, com R$ 6,3 milhões anuais em média e avanço da participação feminina, fortalecem a presença brasileira na Antártica
O Programa Antártico Brasileiro, PROANTAR, registra crescimento expressivo em apoio a pesquisas, em um contexto de recursos estáveis e logística coordenada pela Marinha do Brasil.
Nos últimos cinco anos, o número de projetos apoiados aumentou, e a participação de pesquisadoras cresceu de forma marcante, ampliando a atuação científica nacional no continente.
As informações foram consolidadas a partir dos dados oficiais divulgados pelo programa, em relatório sobre as operações e projetos recentes, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Crescimento de projetos e pesquisadores
O PROANTAR viu, nos últimos cinco anos, o número de projetos apoiados crescer 85,7%, apesar de não ter havido ajuste significativo no investimento. Segundo os dados apresentados, os recursos mantiveram média de R$ 6,3 milhões anuais, considerando repasses do orçamento e emendas parlamentares.
O programa ampliou de 49, em 2021/2022, para 185 pesquisadores em 2025/2026, um salto que inclui diversidade institucional, com cientistas vinculados a 20 instituições em dez estados das cinco regiões do Brasil.
A participação feminina também avançou, com a participação feminina aumentou de 15 para 88 pesquisadoras, o que evidencia maior inclusão no quadro científico embarcado nas expedições e nas estações.
Logística e suporte da Marinha do Brasil
Desde a criação do programa em 1982, a Marinha do Brasil é o braço logístico do PROANTAR, responsável por transportar pessoas, equipamentos e suprimentos essenciais às campanhas científicas.
Os navios e equipamentos citados incluem o Navio Polar “Almirante Maximiano” e o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel”, que conduzem combustível, gêneros, equipamentos, cientistas e o grupo-base que mantém a Estação Antártica Comandante Ferraz em funcionamento.
O atual grupo-base é composto por 17 oficiais e praças, que chegaram ao continente em outubro do ano passado e permanecem até outubro deste ano, garantindo manutenção, comunicações e segurança da operação.
Infraestrutura da Estação e dimensão geopolítica
A Estação Antártica Comandante Ferraz possui estrutura para dar suporte às pesquisas, com capacidade para abrigar até 64 pessoas e laboratórios destinados ao desenvolvimento de campanhas científicas contínuas.
Além da ciência, a presença brasileira no continente tem valor geopolítico, o país aderiu ao Tratado da Antártica em 1975 e tornou-se membro com direito a voto em 1983. A Estação Antártica Comandante Ferraz seria inaugurada em fevereiro de 1984, na Ilha Rei George, marcando a consolidação da presença nacional.
Próxima OPERANTAR e prioridades científicas
O calendário já aponta para a 45ª Operação Antártica, com início previsto para outubro de 2026, quando o CNPq selecionou 29 projetos relacionados a temas prioritários, como mudanças climáticas e eventos extremos, biodiversidade, ecossistemas terrestres e marinhos, saúde humana, patógenos e biotecnologia.
A seleção dos projetos ocorre com base no mérito científico pelo CNPq, e depois as necessidades são alinhadas para que o PROANTAR concilie objetivos científicos, logística e proteção do ambiente antártico, assegurando continuidade às pesquisas e à presença estratégica do Brasil no continente.


