segunda-feira
30 março

Golbery do Couto e Silva, Doutrina de Segurança Nacional e geopolítica do Brasil, como sua visão integrou Amazônia, projeção atlântica e controle ideológico

A visão estratégica de Golbery do Couto e Silva que uniu segurança e desenvolvimento, com foco na integração territorial, projeção no Atlântico e combate à influência comunista

Golbery do Couto e Silva é referência central no pensamento estratégico brasileiro do século XX, autor de Geopolítica do Brasil e formulador de concepções que conectaram Estado, segurança e desenvolvimento.

Seu trabalho sistematizou ideias que consolidaram a chamada Doutrina de Segurança Nacional, difundida na Escola Superior de Guerra, e remodelou a relação entre Forças Armadas e planejamento estatal.

Nos próximos parágrafos, explicamos os eixos da sua teoria, o papel do território na projeção de poder e as controvérsias que ainda cercam seu legado, com ênfase nas implicações políticas e estratégicas.

conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco

A base teórica e a obra Geopolítica do Brasil

Em Geopolítica do Brasil, Golbery dialoga com a tradição de autores como Mahan e Mackinder, para afirmar que a dimensão territorial e a posição atlântica conferem ao país vocação para liderança regional.

Sua análise organiza-se em três eixos, integração territorial, projeção atlântica e unidade política, defendendo que a ocupação da Amazônia e a interiorização do desenvolvimento são pré-condições para a ação geopolítica.

Doutrina de Segurança Nacional, segurança e desenvolvimento

A Doutrina de Segurança Nacional consolidada nas décadas de 1960 e 1970 amplificou o conceito de defesa, ao incluir segurança interna, controle político e planejamento econômico estratégico.

Na ótica golberiana, a ameaça era também ideológica, e a neutralização de influências comunistas passou a integrar instrumentos de Estado, com foco em educação, comunicação, economia e cultura política.

Como síntese da sua lógica doutrinária, ficou a frase, “Segurança e desenvolvimento são indissociáveis.”

Percepção estratégica, o arco de instabilidade e o Atlântico Sul

Golbery adotou o conceito de “arco de instabilidade” para identificar áreas sensíveis ao redor do Brasil, onde conflitos ou regimes hostis poderiam afetar a segurança nacional.

Daí decorre a ênfase em evitar cercamentos estratégicos, monitorar influências externas e fortalecer a presença brasileira no Atlântico Sul, posicionando o país como peça-chave na contenção de expansões ideológicas durante a Guerra Fria.

Legado, controvérsias e influência institucional

O legado de Golbery do Couto e Silva foi decisivo para inserir a geopolítica no centro do planejamento estatal, valorizar a integração amazônica e estruturar o pensamento estratégico na ESG.

Ao mesmo tempo, sua obra é objeto de debates sobre os limites entre segurança e restrição política, pelo papel central atribuído ao Estado e pela ênfase no controle ideológico, o que gerou questionamentos sobre direitos civis e pluralidade política.

Hoje, suas formulações continuam referência obrigatória nos estudos de estratégia, defesa e geopolítica brasileira, e permanecem essenciais para compreender a intersecção entre poder, território e segurança no país.

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