sexta-feira
13 março

AIAB cobra protagonismo do Brasil na mobilidade aérea avançada, pede sandbox regulatório para eVTOL e atuação ativa nas normas internacionais da aviação

O país precisa acelerar a criação de regras e implantar um sandbox regulatório com a ANAC para validar e operar eVTOL, atrair investimentos e disputar posição global na mobilidade aérea avançada

A Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil, AIAB, pede que o País assuma papel de destaque na nova indústria da aviação, ao criar um ambiente regulatório que permita testes controlados e desenvolvimento tecnológico.

O objetivo é consolidar a cadeia de projeto, fabricação e operação de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, os eVTOL, e garantir autonomia e competitividade industrial.

As propostas e argumentos foram detalhados em artigo assinado pelo presidente da AIAB, Julio Shidara, conforme artigo assinado pelo presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Julio Shidara.

Sandbox regulatório como passo estratégico

A AIAB defende a criação, em caráter prioritário, de um sandbox regulatório para a mobilidade aérea avançada junto à Agência Nacional de Aviação Civil, ANAC.

A proposta prevê autorização controlada para testes com eVTOL, tanto no transporte de cargas quanto de passageiros, com ou sem piloto a bordo, em ambientes urbanos e regionais, o que permitiria acelerar a validação tecnológica e o desenvolvimento de modelos operacionais.

Segundo a entidade, o sandbox também tem potencial para atrair investimentos, fortalecer fornecedores nacionais e construir uma base regulatória nacional robusta.

Participação do Brasil nas regras globais

Para a AIAB, a atuação brasileira nas instâncias internacionais é decisiva, porque normas definidas fora do País podem condicionar concorrência e mercado.

O País já atuou como protagonista ao defender, no âmbito da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), a criação de regras mínimas globais para o projeto, fabricação e operação de aeronaves eVTOL, texto publicado pela entidade destaca a iniciativa.

O tema ganhou força com o primeiro Simpósio de Mobilidade Aérea Avançada, realizado em Montreal em 2024, e a agenda deve seguir com novos encontros até a próxima Assembleia Geral da entidade, prevista para setembro de 2028, pontos apontados pela AIAB.

Vantagens brasileiras e estímulos à indústria

Entre os trunfos do País, a AIAB cita a qualidade do trabalho regulatório da ANAC e programas industriais promissores.

A ANAC é reconhecida internacionalmente pela qualidade de sua atuação regulatória, enquanto o projeto de eVTOL da Eve Air Mobility, empresa do grupo Embraer, lidera intenções de compra no mercado mundial, observa a entidade, ao defender que o Brasil aproveite esse contexto para ampliar sua participação.

O fortalecimento de atividades de projeto, fabricação e operação de aeronaves elétricas é visto como essencial para garantir autonomia tecnológica e inserção estratégica no cenário global.

Riscos e urgência

A AIAB alerta que, sem ação rápida, o País pode ficar sujeito a regras definidas por outros mercados, o que limitaria competitividade e tecnologias nacionais.

Dados do setor apontam que a maior parte da demanda futura por mobilidade aérea avançada estará concentrada fora da América Latina, especialmente na região Ásia-Pacífico, argumento usado pela entidade para defender protagonismo e influência nas normas internacionais.

Na visão da AIAB, combinar um sandbox regulatório com participação ativa nas discussões da ICAO é a rota para transformar o Brasil em um player relevante na nova economia da aviação.

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