Marinha e especialistas discutem como a energia nuclear pode contribuir para uma matriz mais limpa, com foco em reatores modulares pequenos, governança e formação de mão de obra
O futuro da energia nuclear no Brasil foi o foco de debates no Nuclear Summit 2026, evento que reuniu representantes da Marinha, do setor produtivo e da academia para discutir descarbonização e segurança energética.
A participação da Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, SecNSNQ, sinalizou o interesse institucional da Marinha em integrar tecnologia nuclear a projetos de defesa, segurança marítima e inovação científica.
O painel, que tratou de tecnologia, regulação e investimentos, foi moderado pelo Almirante de Esquadra (Ref.) Petronio, e contou com representantes da Petrobras, da Empresa de Pesquisa Energética, EPE, e da Constellation, entre outros, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Energia nuclear como vetor de descarbonização e segurança energética
Especialistas presentes no Summit destacaram que a energia nuclear pode reduzir emissões de carbono e aumentar a resiliência da matriz elétrica, ao garantir fornecimento estável diante de variações climáticas.
Foram apresentados estudos que mostram como a tecnologia contribui para menor dependência de combustíveis fósseis e para maior previsibilidade no abastecimento, pontos considerados essenciais para a transição energética.
Entre as soluções apontadas, o potencial de reatores modulares pequenos, SMRs, chamou atenção, sobretudo para aplicações offshore e subsea na indústria de óleo e gás, onde podem aumentar eficiência e competitividade.
Debate regulatório e definição estratégica para o setor nuclear
O encontro evidenciou a necessidade de um arcabouço regulatório claro e de uma política nuclear nacional que alinhe governo, setor produtivo e comunidade científica.
Participantes reforçaram que avançar com SMRs e outros projetos exige planejamento estratégico, investimentos em infraestrutura tecnológica e integração entre diferentes setores da economia.
Foi apontada ainda a importância de fortalecer mecanismos de governança, segurança operacional e a formação de mão de obra especializada, requisitos para atrair investimentos de longo prazo.
Compromisso da Marinha e próximos passos
A atuação da SecNSNQ no Summit demonstra o compromisso da Marinha do Brasil com o uso seguro e responsável da energia nuclear, tanto para fins de defesa quanto para desenvolvimento científico e segurança marítima.
Ao final do painel, o Almirante Petronio ressaltou, “Ao final do painel, o Almirante Petronio ressaltou a importância de definir a direção estratégica do Estado brasileiro em relação ao setor nuclear, destacando que decisões estruturantes serão fundamentais para garantir uma matriz energética limpa, segura e confiável, além de reforçar a independência energética nacional.”
O evento deixou claro que a consolidação desse caminho dependerá de coordenação política, capacitação técnica e investimentos, com diálogo contínuo entre os atores públicos e privados.
Para sugestões de pauta ou correções, o convite do evento permanece aberto ao público interessado em acompanhar a evolução da agenda nuclear no país.


