Diálogo estratégico visa alinhar formação, regulação e planejamento de longo prazo, com ênfase em ampliar vagas, atualizar currículos e valorizar o ETO para reforçar a Marinha Mercante
A Diretoria-Geral de Navegação reuniu representantes do Sindmar para discutir o futuro da Marinha Mercante, em um encontro voltado à formação de oficiais e à qualificação da mão de obra necessária ao setor.
O debate destacou a crescente demanda por profissionais especializados, em especial na área eletrotécnica, e a necessidade de modernizar o ensino para navios cada vez mais automatizados e tecnologicamente avançados.
As conversas também trataram de regras e da governança do setor, incluindo propostas para aperfeiçoar a Normam e caracterizar com clareza os tripulantes não aquaviários, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.
Formação de oficiais e valorização do ETO
Uma das pautas centrais foi a formação do oficial eletrotécnico (ETO), função apontada como cada vez mais estratégica em embarcações modernas. O encontro ressaltou que navios atuais exigem conhecimento avançado em sistemas elétricos e automação, e que a adequação curricular é essencial para a competitividade da Marinha Mercante brasileira.
Representantes defenderam a ampliação de vagas, a modernização do ensino e o alinhamento dos cursos com padrões internacionais, para garantir profissionais aptos a operar e manter sistemas complexos a bordo.
Regulação, Normam e segurança jurídica
Outra preocupação foi o aperfeiçoamento das normas que regem o setor, especialmente no que se refere à Normam e à caracterização de tripulantes não aquaviários em embarcações marítimas. A clareza regulatória foi apontada como fator-chave para evitar insegurança jurídica e assegurar condições justas de trabalho.
O Sindmar sugeriu ações coordenadas entre a Autoridade Marítima, exercida pela Marinha do Brasil, e os órgãos responsáveis pela fiscalização do trabalho aquaviário, com o objetivo de fortalecer a governança e garantir o cumprimento das normas trabalhistas e de segurança.
Cenário internacional e fortalecimento do poder marítimo
Os participantes discutiram também os impactos dos conflitos internacionais e da instabilidade geopolítica sobre o transporte marítimo e as cadeias logísticas. Foi ressaltada a importância de um planejamento estratégico de longo prazo para proteger a soberania e a segurança econômica do país.
Nesse contexto, a Marinha Mercante foi destacada como elemento essencial para ampliar a capacidade logística do Brasil e sua presença no comércio internacional, reforçando a necessidade de investimentos em pessoal e infraestrutura.
Próximos passos e expectativas
A iniciativa da DGN de promover reuniões temáticas com o Sindmar foi bem recebida pelas partes, que esperam manter o diálogo contínuo para implementar mudanças práticas na formação, na regulação e na fiscalização do setor.
Com foco na qualificação, na atualização normativa e na coordenação entre autoridades, a expectativa é que as medidas discutidas contribuam para o fortalecimento do poder marítimo brasileiro e para a geração de emprego qualificado na Marinha Mercante.


