quarta-feira
29 abril

Fábrica do Galeão, a história pouco contada que produziu 471 aviões, montou Focke-Wulf e PT-19 Cornell, e formou a base técnica que antecipou a indústria aeronáutica brasileira

Uma trajetória da Aviação Naval que passou por Oficinas Gerais inauguradas em 1939, montagem sob licença, projetos próprios e 232 unidades do PT-19 até 1947

A história da fábrica no Galeão é, por muito tempo, uma página esquecida da indústria brasileira, embora tenha influenciado gerações de técnicos e oficinas.

Entre montagens de projetos estrangeiros e experiências próprias, o complexo naval desempenou papel central na tentativa do Brasil de internalizar tecnologia aeronáutica.

Conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.

Origens e estrutura industrial

Entre 1927 e 1935, a dificuldade de manter aeronaves importadas em operação expôs um gargalo que impulsionou a iniciativa, e a resposta veio com a criação de unidades voltadas para manutenção e produção local.

Com a construção das Oficinas Gerais da Aviação Naval, inauguradas em 1939, o Galeão passou a reunir setores de mecânica, motores, fundição, solda e laboratórios, um salto industrial raro para a época.

Essa estrutura permitiu que a Aviação Naval não apenas mantivesse a frota, mas também experimentasse montagem sob licença, produções próprias e capacitação técnica em larga escala.

Produção, modelos e números

A fábrica trabalhou com modelos variados, incluindo o Focke-Wulf Fw 44 Stieglitz, o Fw 58 Weihe, e depois o Fairchild PT-19 Cornell.

Até 1947, foram fabricadas 232 unidades do PT-19, o maior volume da história da fábrica, abastecendo a FAB no pós-guerra, fato que demonstra a relevância operacional do complexo naquele período.

No total, a experiência produtiva do Galeão resultou em 471 aviões, um indicador quantitativo importante, mas que só conta parte da história, já que o impacto se estende ao capital humano e institucional gerado.

Projetos próprios e experimentos

Além de produções sob licença, o Galeão testou desenvolvimentos nacionais, como o Niess 1-80, e chegou a realizar experiências com helicópteros, ampliando o escopo técnico da unidade.

Parcerias internacionais e rupturas políticas também marcaram a trajetória, com cooperação da Alemanha, dos Estados Unidos e da Holanda, e redirecionamentos durante a Segunda Guerra Mundial.

Legado, encerramento e lições estratégicas

A fábrica encerrou atividades nos anos 1960, mas deixou um legado silencioso: técnicos formados, capacidades acumuladas e uma cultura industrial que ajudou a preparar a aviação brasileira para ciclos posteriores.

Se hoje São José dos Campos simboliza a indústria aeronáutica brasileira, parte dessa história começou antes, no Galeão, onde se ensaiou uma noção de soberania tecnológica que unia defesa e desenvolvimento.

Revisitar o Galeão é, portanto, revisitar uma tentativa precoce e incompleta de construir autonomia em tecnologia militar, um episódio que ajuda a entender debates atuais sobre base industrial de defesa e política tecnológica.

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