Equipe Jungle Warfare Mobile Training Team aplicou a doutrina de guerra na selva em Beni e Bunia, com treinamentos de fast rope, atendimento tático e deslocamento em áreas de elevada complexidade
O Centro de Instrução de Guerra na Selva, CIGS, levou ao leste da República Democrática do Congo procedimentos e técnicas desenvolvidas pelo Exército Brasileiro para operações em floresta tropical.
A atuação da equipe contribuiu para aumentar a prontidão e a interoperabilidade das tropas da MONUSCO e das Forças Armadas da República Democrática do Congo, FARDC.
As informações sobre a operação foram divulgadas pela imprensa especializada, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Treinamento prático e técnicas empregadas
Durante as atividades em Beni e Bunia, a Jungle Warfare Mobile Training Team, JWMTT, realizou demonstrações de fast rope, deslocamento tático em terreno fechado e atendimento pré-hospitalar tático.
O foco foi adaptar a doutrina de guerra na selva do Exército Brasileiro às necessidades operacionais locais, com ênfase em missões de estabilização em ambiente de floresta tropical.
As demonstrações serviram para treinar contingentes da MONUSCO e das FARDC em técnicas de sobrevivência, infiltração e combate em áreas de difícil acesso.
Visita de comando e articulação institucional
Entre 11 e 15 de maio, o Force Commander da MONUSCO, General de Divisão Ulisses de Mesquita Gomes, recebeu a comitiva brasileira, incluindo o Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Luiz Gonzaga Viana Filho, e o Comandante do CIGS, Coronel Flávio Luiz Lopes dos Prazeres.
A agenda teve como objetivo acompanhar o trabalho do CIGS em campo e alinhar ações para aumentar a capacidade de resposta da missão, em cenários marcados por violência e deslocamento populacional.
Adaptação da doutrina ao ambiente africano
A experiência do Exército Brasileiro na Amazônia permitiu ao CIGS modular conteúdos e procedimentos para as especificidades do Congo, mantendo a essência da doutrina de guerra na selva e incorporando variáveis locais.
Essa adaptação inclui logística para regiões remotas, técnicas para combate a grupos armados irregulares e métodos de atuação em corredores humanitários e áreas urbanas fragmentadas pela floresta.
Diplomacia militar e impacto humanitário
Além do aspecto técnico, a presença brasileira na MONUSCO tem efeito diplomático, ao consolidar o país como referência em operações na selva e fortalecer parcerias internacionais.
O reforço de capacidades da MONUSCO contribui para a proteção de civis, apoio à estabilidade regional e enfrentamento de grupos armados que atuam no leste do Congo.
O trabalho do CIGS também amplia o intercâmbio de experiências entre contingentes internacionais, ampliando a interoperabilidade em operações de paz.
Projeção estratégica e próximas etapas
Sediado em Manaus, o CIGS tem mais de 60 anos de atuação e é responsável pelo Curso de Operações na Selva, referência na formação de militares brasileiros e estrangeiros.
Ao exportar sua expertise por meio da JWMTT, o CIGS reforça a projeção internacional do Brasil em missões de paz e cria oportunidades de cooperação com nações parceiras.
O treinamento no Congo demonstra que investir em doutrina de guerra na selva e em diplomacia militar é estratégia para ampliar a capacidade de resposta a crises complexas e para proteger populações em áreas remotas.


