Força 40, projeto do Exército Brasileiro baseado em guerra multidomínio, inteligência artificial, sistemas não tripulados e cibernética, com foco em superioridade de informação e autonomia tecnológica
A Força Terrestre vive uma transformação profunda para se adaptar às ameaças híbridas e aos conflitos do futuro, com ênfase em tecnologia, integração de domínios e rapidez de resposta.
O projeto Força 40 visa reorganizar estruturas, formar militares com maior capacitação tecnológica e estimular a indústria nacional de defesa, para reduzir dependência externa e ampliar autonomia.
Nas próximas seções explicamos como a mudança afeta doutrina, equipamentos, pessoal e a Base Industrial de Defesa, e quais são as prioridades estratégicas do programa, conforme informação divulgada pelo Exército Brasileiro.
Mudança doutrinária e estrutura operacional
A transformação aposta no conceito de guerra multidomínio, integrando ações terrestres, aéreas, marítimas, espacial, eletromagnético, cibernético e cognitivo. Em resposta à evolução das ameaças, o Exército busca ampliar a superioridade de informação e a capacidade de comando e controle, como elementos centrais da nova doutrina.
A organização operacional prevista inclui a criação de categorias de emprego das tropas, como Forças de Emprego Imediato, Forças de Emprego de Prontidão, forças multidomínio e módulos de apoio ampliado, com objetivo de aumentar mobilidade estratégica, interoperabilidade e rapidez de resposta.
Tecnologia, indústria e autonomia estratégica
O eixo tecnológico do programa coloca o Exército como indutor de inovação, estimulando desenvolvimento de soluções de uso dual em inteligência artificial, sensores, comunicações seguras, veículos autônomos e sistemas não tripulados.
A expectativa é que a Força 40 impulsione a Base Industrial de Defesa brasileira, atraindo investimentos em pesquisa e fortalecendo parcerias entre Forças Armadas, universidades e empresas de defesa, ampliando a autonomia tecnológica do país.
Formação de pessoal e comando descentralizado
Além de equipamentos, o projeto enfatiza a capacitação humana. O conceito de missão pela finalidade amplia a descentralização operacional e exige lideranças com autonomia decisória, preparo para ambientes hiperconectados e habilidade para operar sob pressão e incerteza.
A mudança prevê militares com maior domínio de ferramentas digitais, operações cibernéticas e emprego de sistemas não tripulados, alinhando treino, doutrina e cultura organizacional às demandas do século XXI.
Implementação, prioridades e horizonte 2040
Formalizada pela Política de Transformação do Exército Brasileiro (EB10-P-01.031), aprovada em abril de 2026, a Força 40 tornou-se o principal vetor estratégico da modernização militar brasileira para as próximas décadas, e o Estado-Maior trabalha na Estratégia de Transformação que detalhará a execução prática do programa.
Entre as prioridades do projeto estão superioridade de informação, proteção, sustentação logística, projeção de poder e apoio às ações do Estado, com implementação progressiva até o horizonte de 2040, adaptando capacidades a um ambiente geopolítico marcado por competição tecnológica e ameaças híbridas.
Para analistas de defesa, a Força 40 representa uma mudança de mentalidade operacional, mais do que apenas modernização de equipamentos, buscando garantir que o Brasil antecipe a evolução dos conflitos e preserve sua soberania em cenários complexos.


