sexta-feira
29 maio

Projeto 14-X da FAB mira voos a 12 mil km/h na estratosfera, desenvolvendo propulsão hipersônica aspirada para alcançar Mach 10 e autonomia tecnológica

O demonstrador 14-X S pretende acelerar a condições hipersônicas usando um Veículo Acelerador Hipersônico, visando velocidades superiores a Mach 10, com testes lançados do CLA

O programa desenvolvido pelo Instituto de Estudos Avançados busca validar conceitos de propulsão hipersônica aspirada no Brasil, com ênfase em motores do tipo scramjet e superfícies waverider.

O demonstrador experimental, nomeado 14-X S, deve ser levado a altitude e velocidade por um Veículo Acelerador Hipersônico, seguindo a chamada Operação Cruzeiro, antes de testar a sustentação por combustão atmosférica.

Esses passos fazem parte de um esforço para posicionar a indústria e a pesquisa brasileiras entre as que dominam a propulsão hipersônica, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.

Como funciona a propulsão hipersônica aspirada

A propulsão hipersônica aspirada permite que o veículo use o oxigênio da atmosfera para combustão, eliminando a necessidade de transportar oxidantes a bordo, com ganhos em alcance e massa útil.

Em velocidades acima de Mach 5, o fluxo de ar é comprimido e aquecido de forma extrema, e o motor scramjet queima o combustível dentro desse fluxo sem compressão por partes móveis, o que exige controle de aerotermodinâmica e materiais de alta resistência térmica.

Fases do programa, testes e tecnologia empregada

O programa está dividido em etapas de demonstração tecnológica. Na primeira fase, a chamada Operação Cruzeiro, o demonstrador 14-X S será acelerado por um Veículo Acelerador Hipersônico (VAH) baseado no foguete de sondagem VSB-30.

O objetivo é levar o veículo a condições de voo hipersônico para validar o motor scramjet e o formato waverider, avaliando desempenho a altas temperaturas e aerodinâmica em regime hipersônico.

Segundo o projeto, o veículo experimental poderá atingir cerca de 12 mil quilômetros por hora a aproximadamente 30 quilômetros de altitude, metas que colocam o Brasil em linha com países que investem em pesquisa hipersônica.

Parcerias, instituições envolvidas e local de lançamento

As atividades do programa são conduzidas pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv), organização vinculada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), com sede em São José dos Campos.

Na construção do demonstrador, houve participação da Orbital Engenharia, e os ensaios e inspeções envolveram cooperação entre o IEAv, o IAE e o IFI. O lançamento ocorrerá a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

Impacto científico, industrial e estratégico

O avanço na propulsão hipersônica tem impacto direto no desenvolvimento científico e industrial, exigindo domínio em aerodinâmica supersônica, materiais térmicos, navegação e controle de voo a altas velocidades.

Além do potencial militar e aeroespacial, especialistas destacam que projetos hipersônicos estimulam inovação com aplicações civis, como aviação de alta velocidade, comunicações e materiais especiais, fortalecendo a autonomia tecnológica nacional.

Ao posicionar o Brasil na disputa por tecnologia hipersônica, o 14-X amplia a integração entre instituições públicas, centros de pesquisa e empresas do setor aeroespacial, contribuindo para reduzir dependências externas em áreas estratégicas de Defesa e ciência.

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