A expansão da Economia Azul revela o mar como motor econômico e estratégico, com o ‘PIB do Mar’, 3,77 milhões de barris por dia e 5,7 milhões de quilômetros quadrados de jurisdição
A Economia Azul está presente em setores centrais do país, do transporte de cargas à geração de energia, da pesca à infraestrutura digital. O oceano sustenta atividades que afetam milhões de brasileiros e a balança comercial do país.
O conceito associa aproveitamento econômico dos recursos marinhos à sustentabilidade e ao desenvolvimento, e ganha espaço diante das discussões sobre segurança energética, mudanças climáticas e infraestrutura crítica.
Esta reportagem detalha como a Economia Azul movimenta setores estratégicos, quais são os números oficiais e por que a Amazônia Azul se tornou um ativo geopolítico, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Setores que compõem a Economia Azul
A Economia Azul reúne transporte marítimo, exploração de petróleo e gás, pesca, aquicultura, turismo, geração de energia, pesquisa científica e infraestrutura portuária.
Esses elos interligados mostram que o mar não é apenas lazer, mas base para a produção industrial, empregos e tecnologia, impulsionando cadeias produtivas em todo o território nacional.
A dependência vai de operações logísticas até serviços digitais, com impactos que cruzam economia, meio ambiente e segurança nacional.
PIB do Mar e números que evidenciam o impacto
Em 2025, a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, CIRM, aprovou o relatório final do grupo técnico que elaborou a metodologia do chamado PIB do Mar, iniciativa para mensurar as atividades econômicas ligadas ao oceano no Brasil.
Estudo da economista Andréa Bento Carvalho, da Universidade Federal do Rio Grande, FURG, estimou que as atividades ligadas direta ou indiretamente ao oceano, em 2015, já geravam, cerca de R$ 1,11 trilhão em Produto Interno Bruto, empregando mais de 19 milhões de pessoas e movimentando aproximadamente R$ 500 bilhões em salários.
Esses indicadores demonstram que o mar influencia setores para além da faixa costeira, refletindo em renda, ocupação e dinâmicas regionais importantes para o desenvolvimento.
Comércio, energia e a infraestrutura crítica do mar
O transporte marítimo é vital para o comércio exterior, com cerca de 95% das exportações e importações realizadas por via marítima, conectando o Brasil aos principais mercados globais.
Na energia, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ANP, reportou produção recorde em 2025, com 3,77 milhões de barris por dia, sendo que o pré-sal respondeu por quase 80% desse volume.
Ao mesmo tempo, crescem interesses em energia eólica offshore, biotecnologia marinha e mineração em águas profundas, apontadas como frentes estratégicas para a transição energética global e para inovação.
Outro ativo menos visível, mas essencial, são os cabos submarinos que sustentam a internet e as comunicações globais, transformando infraestrutura de dados em alvo estratégico e elemento de soberania digital.
Aquicultura, pesca e a importância da Amazônia Azul
A produção aquícola em Águas da União cresceu 20% em 2024, alcançando 148,5 mil toneladas, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, mostrando que a aquicultura assume papel crescente na segurança alimentar.
Em nível mundial, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, aponta que a aquicultura já superou a pesca de captura como principal fonte de produção de animais aquáticos, sinalizando transformação nas cadeias de oferta de alimentos.
O Brasil, detentor de cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados de área marítima sob jurisdição nacional, a chamada Amazônia Azul, vê nessa área recursos naturais, biodiversidade única e rotas comerciais que são centrais para soberania e desenvolvimento.
Apesar da relevância, a mentalidade marítima no país ainda é limitada, o que exige políticas públicas, investimentos em infraestrutura e gestão ambiental para equilibrar exploração econômica e preservação.
Riscos, oportunidades e o caminho à frente
Com a crescente competição por recursos, rotas e infraestrutura, proteger cabos, plataformas e áreas de produção tornou-se prioridade, diante de riscos de conflitos, sabotagem e acidentes que podem afetar conectividade e suprimento.
A valorização da Economia Azul abre espaço para inovação, empregos qualificados e tecnologia, mas impõe o desafio de conciliar desenvolvimento, conservação ambiental e responsabilidade social.
Avançar na medição do PIB do Mar, fortalecer a governança da Amazônia Azul e ampliar investimentos em pesquisa são passos necessários para transformar o potencial marítimo em benefícios concretos para o país.


