Debates no IX Simpósio de Gestão Portuária mostraram como vulnerabilidades em terminais, cadeias logísticas e tecnologia ampliam os desafios da segurança marítima para o comércio internacional
O IX Simpósio de Gestão Portuária, realizado entre 18 e 21 de maio, trouxe ao centro do debate as novas ameaças ao tráfego e à infraestrutura portuária, com foco em medidas práticas de prevenção.
Pesquisadores do Observatório de Segurança Marítima apresentaram cursos e painéis que mapearam riscos atuais, com ênfase em respostas tecnológicas e em inteligência compartilhada.
As discussões reuniram especialistas da academia, órgãos governamentais e setor produtivo, em torno da urgência de fortalecer a proteção das cadeias globais de suprimentos, conforme informação divulgada pelo Observatório de Segurança Marítima da Escola de Guerra Naval.
Ameaças emergentes ao comércio marítimo internacional
O curso “As Ameaças Contemporâneas Emergentes ao Comércio Global por Via Marítima” foi ministrado pelos pesquisadores-doutores Capitão de Mar e Guerra (FN) Charles Piñon, Capitão de Corveta (T) Álvaro Gouveia e Jéssica Germano.
Os especialistas explicaram que as ameaças vão além dos riscos tradicionais da navegação, e incluem, entre outros, ataques cibernéticos, crimes transnacionais e interferências em cadeias logísticas globais.
Foi ressaltado que essas ameaças demandam uma abordagem multidisciplinar, envolvendo tecnologia, inteligência e cooperação internacional para mitigar impactos.
Impactos na operação portuária e na sociedade
Os debates destacaram que a segurança portuária afeta diretamente o abastecimento de mercados, a circulação de insumos estratégicos e o funcionamento de cadeias produtivas essenciais.
Qualquer interrupção causada por falhas de segurança, invasões digitais ou atividades criminosas pode gerar consequências econômicas significativas, do produtor ao consumidor.
Nesse contexto, investir em capacitação profissional e em sistemas resilientes de monitoramento e resposta foi apontado como essencial para manter a competitividade e a estabilidade logística.
Cooperação institucional para proteção da infraestrutura crítica
Uma mesa coordenada pelo Capitão de Mar e Guerra William Moreira reuniu representantes da CONPORTOS, do Gabinete de Segurança Institucional e da Marinha do Brasil.
Os participantes mostraram iniciativas para fortalecer a proteção das infraestruturas críticas ligadas ao setor marítimo-portuário, enfatizando a necessidade de coordenação entre poder público, academia e setor privado.
A cooperação institucional foi apresentada como elemento central para ampliar a capacidade de prevenção, detecção e resposta a incidentes que afetem portos e rotas de navegação.
O papel do Brasil e dos centros de pesquisa
Com mais de 8 mil quilômetros de litoral e uma vasta zona marítima sob jurisdição, o Brasil tem interesses estratégicos que exigem políticas públicas e estratégias de defesa voltadas ao setor.
Pesquisadores e oficiais da Escola de Guerra Naval destacaram que a produção acadêmica, por meio do Observatório de Segurança Marítima, é fundamental para subsidiar decisões e ampliar a cultura estratégica nacional.
Para enfrentar o aumento da complexidade das ameaças, os debatedores defenderam investimentos contínuos em tecnologia, regulação da infraestrutura crítica e governança integrada, para proteger tanto o comércio internacional quanto a segurança nacional.


