segunda-feira
22 junho

Como o conhecimento acumulado pela Marinha no LABGENE e no Programa Nuclear da Marinha pode fortalecer a soberania nuclear e energética do Brasil e viabilizar SMRs

LABGENE e Aramar reúnem competências do Programa Nuclear da Marinha para testar e validar tecnologias de reatores modulares, ampliando a soberania nuclear e energética do Brasil

O acúmulo tecnológico desenvolvido pela Marinha ao longo de décadas aparece como uma base estratégica para o avanço de reatores modulares de pequeno porte, os SMRs, no Brasil.

O Centro Industrial Nuclear de Aramar abriga o LABGENE, plataforma que concentra capacitações em engenharia nuclear, automação, instrumentação e operação de instalações nucleares.

Essas competências podem acelerar projetos de geração elétrica com baixo carbono e reforçar a soberania nuclear e energética do país, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.

LABGENE, infraestrutura e competências acumuladas

O LABGENE foi concebido para construir, integrar, qualificar, operar e validar o protótipo em terra do sistema de propulsão nuclear brasileiro baseado em reator de água pressurizada, PWR.

A infraestrutura do laboratório reúne décadas de experiência técnica, formação de recursos humanos e processos de engenharia, em áreas como integração de sistemas complexos, segurança nuclear, fabricação de equipamentos e automação.

Embora tenha sido desenvolvido para o Programa Nuclear da Marinha, especialistas apontam que a mesma estrutura e conhecimento podem funcionar como plataforma de testes e validação para reatores modulares e outras aplicações civis.

SMRs no cenário energético e aplicações práticas

Os SMRs ganham espaço global por oferecerem geração contínua de eletricidade com baixas emissões, maior flexibilidade operacional e potencial de fabricação modular, o que reduz prazos e custos.

Esses reatores podem ser instalados em regiões remotas, polos industriais, operações de mineração, centros de dados e plataformas offshore, ampliando opções para projetos de hidrogênio de baixo carbono.

O avanço de tecnologias digitais, como inteligência artificial e computação em nuvem, aumenta a demanda por fontes de energia estáveis, cenário em que os SMRs se mostram promissores para assegurar capacidade contínua de fornecimento.

Contribuição ao fortalecimento da soberania tecnológica

O domínio de tecnologias nucleares estratégicas reduz dependências externas e amplia a capacidade de participação em mercados de alta complexidade tecnológica, destacando a importância da soberania nuclear e energética.

No Brasil, a integração entre instituições governamentais, universidades, centros de pesquisa e empresas é vista como fundamental para transformar conhecimento em aplicações industriais e fortalecer cadeias produtivas nacionais.

A proposta da Força é que o LABGENE seja reconhecido como referência técnica nacional para desenvolvimento, teste e validação de tecnologias voltadas a reatores modulares, tanto terrestres quanto, futuramente, embarcados.

Infraestrutura do ciclo do combustível e próximos passos

Durante a visita de representantes do CNPq e do Ministério de Minas e Energia, foram conhecidas instalações como o Laboratório de Enriquecimento Isotópico, LEI, e a Unidade de Produção de Hexafluoreto de Urânio, USEXA, responsáveis por etapas críticas do ciclo do combustível.

Segundo avaliação da Marinha, o aproveitamento dessas capacidades consolidadas pode reduzir custos e riscos em futuros programas de SMRs, aproveitando infraestrutura existente e pessoal especializado.

Especialistas ouvidos destacam que investimentos continuados em pesquisa, formação de especialistas e infraestrutura são decisivos para transformar esse potencial em projetos concretos, fortalecendo a soberania nuclear e energética do Brasil.

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