Prototótipos híbridos da nova blindagem ultraleve combinam placas cerâmicas de alta dureza e ligas de magnésio ultraleves para aumentar proteção balística sem elevar o peso
A nova geração de blindagens militares brasileiras passou por testes no Centro de Avaliações do Exército, no último dia 9 de junho, em ensaios conduzidos no Laboratório de Ensaios Balísticos, LEB, Linha IV, do CAEx.
Os protótipos foram desenvolvidos a partir de uma tese de doutorado do Instituto Militar de Engenharia, e reúnem materiais produzidos pela CETARCH e pela Rima Industrial, formando uma arquitetura híbrida destinada a controlar fragmentação e absorver energia de impacto.
As avaliações mediram velocidade de projéteis, absorção de energia e comportamento estrutural das placas, fornecendo dados que orientarão as próximas etapas de desenvolvimento, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Como funcionam os novos materiais de proteção balística
O projeto combina placas cerâmicas de alta dureza com placas de ligas de magnésio ultraleves, cada uma com função específica no impacto. As cerâmicas atuam fragmentando o projétil e dispersando energia cinética, aumentando a capacidade de interrupção do projétil.
As ligas de magnésio, por sua vez, trazem o benefício do baixo peso e da resistência mecânica, reduzindo a massa final da blindagem sem abrir mão da integridade estrutural, o que é crucial para aplicações em coletes, capacetes e blindagem veicular.
Resultados e parâmetros testados no CAEx
Nos ensaios do CAEx foram avaliados parâmetros como velocidade dos projéteis, absorção de energia e comportamento estrutural após os impactos, informações essenciais para validar desempenho e segurança dos protótipos.
Testes em laboratório permitem observar não apenas a eficiência balística imediata, mas também o dano residual, a capacidade de manter proteção após múltiplos impactos e a viabilidade de produção em escala industrial.
Benefícios para militares, indústria e pesquisa nacional
A redução do peso dos equipamentos pode trazer ganhos diretos para a tropa, com maior mobilidade, menor fadiga e aumento da capacidade operacional em missões prolongadas, especialmente em ambientes urbanos e de difícil acesso.
O projeto também fortalece a integração entre Exército Brasileiro, IME, CAEx, CETARCH e Rima Industrial, mostrando um modelo de cooperação entre academia, indústria e Força Terrestre que pode reduzir dependência de tecnologias importadas.
Próximas etapas e impacto na modernização
Antes de qualquer incorporação operacional, os materiais precisam demonstrar desempenho consistente em condições extremas, garantindo segurança, confiabilidade e logística viável, etapas que dependem dos dados coletados no LEB, Linha IV, do CAEx.
Além do ganho tático, iniciativas como essa podem gerar empregos qualificados, impulsionar setores de alta tecnologia e fortalecer a autonomia tecnológica do Brasil em Defesa, integrando o esforço do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército, SCTIEx.


