A construção coletiva de uma agenda estratégica para a Amazônia pós-COP30 reuniu atores civis e militares em Belém, com foco em soberania, infraestrutura crítica e justiça climática
O II Seminário de Segurança e Defesa da Amazônia, realizado em Belém, colocou na pauta a necessidade de alinhar proteção ambiental e desenvolvimento econômico na Amazônia pós-COP30.
O encontro reuniu militares, pesquisadores, professores, estudantes e representantes de instituições acadêmicas, promovendo diálogo entre ciência, defesa e sociedade.
A participação foi extensa, com aproximadamente 500 participantes, o que reforçou a importância de manter esse espaço como um fórum permanente de construção de soluções estratégicas.
conforme informação divulgada pelo Comando Militar da Amazônia Oriental (CMAO)
Debates centrais e prioridades estratégicas
Organizado em quatro mesas temáticas, o seminário abordou geopolítica regional, governança ambiental, justiça climática, infraestrutura crítica e comunicação social orientada à defesa.
Especialistas destacaram que a Amazônia pós-COP30 ocupa posição central nas discussões globais sobre mudanças climáticas, segurança energética e preservação de recursos naturais, exigindo políticas que integrem desenvolvimento e proteção ambiental.
Foi ressaltado que o fortalecimento da presença do Estado e a proteção das infraestruturas críticas são essenciais para garantir a soberania e permitir inclusão social, geração de renda e sustentabilidade das comunidades locais.
Universidades, pesquisa e inovação para a Amazônia
Uma marca da segunda edição foi a forte presença acadêmica, com participação de instituições como UFPA, UFRA, UEPA, UNAMA, CESUPA, IEC e IE2A.
A integração entre universidades e instituições de defesa foi apontada como avanço para construir uma massa crítica capaz de subsidiar políticas públicas e estratégias de desenvolvimento para a Amazônia pós-COP30.
A Exposição Acadêmica de Segurança e Defesa da Amazônia aproximou a produção científica dos temas de soberania, estimulou inovação e permitiu troca de experiências entre estudantes e pesquisadores.
Povos originários, assistência e participação nos rumos da região
Os povos indígenas e comunidades tradicionais tiveram papel destacado nas discussões, com ênfase na participação ativa daqueles que historicamente conservam os territórios amazônicos.
A presença da cacica Marcela Curuaí, da Terra Indígena Cobra Grande, enfatizou o reconhecimento do trabalho das Forças Armadas no apoio humanitário a populações isoladas, e citou ações junto aos yanomamis como exemplo de atuação que alia proteção territorial e assistência social.
O tema central do seminário, Desenvolvimento, Proteção Ambiental e Povos Originários: Pilares da Soberania na Amazônia no Pós-COP30, sintetizou a visão de que segurança, conservação e inclusão social são inseparáveis.
Conclusões, continuidade e próximos passos
Para o Comandante Militar da Amazônia Oriental, General de Exército José Ricardo Vendramin Nunes, a continuidade dos trabalhos é essencial para consolidar um ambiente permanente de diálogo e construção coletiva de soluções.
Os participantes defenderam a expansão sustentável de obras estruturantes e da conectividade logística como requisito para fortalecer comunidades locais sem comprometer a conservação ambiental.
Ao aproximar instituições militares, universidades, centros de pesquisa e sociedade civil, o seminário reforçou que a agenda da Amazônia pós-COP30 depende da integração entre conhecimento científico, proteção ambiental e valorização dos povos originários, para garantir soberania e desenvolvimento de longo prazo.


