Comemoração em Costa Marques destacou a presença do Exército Brasileiro na fronteira oeste, com homenagens, selo dos Correios e ações de preservação do Forte Príncipe da Beira
O Forte Príncipe da Beira completou 250 anos em meio a cerimônias que reforçaram seu papel como símbolo da soberania e da presença brasileira na região oeste da Amazônia.
A celebração organizada pelo Exército Brasileiro em Costa Marques reuniu autoridades civis, militares e representantes diplomáticos, em uma série de atos que combinaram memória, cultura e estratégia de fronteira.
O evento destacou a importância da preservação do patrimônio e da ocupação permanente do território, em um contexto histórico que remete às disputas coloniais e aos esforços de conservação do século XX, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
História, geografia e função estratégica
A construção do forte foi motivada pelas disputas entre Portugal e Espanha no século XVIII e pela necessidade de ocupação efetiva do território, diante das limitações dos tratados. A posição às margens do Rio Guaporé tornou o local estratégico para o controle do interior amazônico e das áreas auríferas então relevantes.
As obras começaram em 1776 e foram concluídas em 1783, segundo os registros históricos citados, e o projeto incorporou princípios da engenharia militar europeia adaptados ao ambiente tropical.
Com um perímetro de 970 metros, muralhas que ultrapassam sete metros de altura e quatro baluartes capazes de receber dezenas de peças de artilharia, a estrutura mostrou a intenção da Coroa Portuguesa de consolidar presença física na região ocidental da então colônia.
Engenharia militar e desafios ambientais
A execução da obra exigiu soluções para o clima equatorial, a distância dos centros administrativos e a escassez de materiais, o que evidencia a capacidade técnica dos engenheiros e construtores do período.
Ao longo do tempo, a floresta avançou sobre as estruturas e o forte viveu períodos de abandono, até que iniciativas de preservação no século XX deram novo fôlego ao monumento.
O tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN, consolidou a condição do local como patrimônio cultural brasileiro, e a manutenção passou a ser combinada entre ações civis e a presença militar.
Marechal Rondon e a ação do Exército na conservação
O resgate da importância histórica do sítio está ligado ao trabalho do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, que em 1917 registrou a relevância da fortificação e defendeu sua preservação.
Em 1930 Rondon coordenou trabalhos de limpeza e recuperação, abrindo caminho para a instalação, em 1932, de um Pelotão Especial de Fronteira do Exército Brasileiro. Desde então, militares mantêm guarda permanente, atuando na proteção da fronteira e na conservação da memória histórica.
Ao longo de quase um século, gerações de militares assumiram a missão de proteger esse legado, reafirmando o compromisso institucional com a história, a soberania e a ocupação estratégica da Amazônia.
Celebrações dos 250 anos e simbolismo contemporâneo
A cerimônia de jubileu em Costa Marques contou com a participação do Chefe do Departamento-Geral do Pessoal, General de Exército Luiz Fernando Estorilho Baganha, integrantes do Alto-Comando do Exército, autoridades estaduais e municipais, e da embaixadora de Portugal no Brasil, Isabel Brilhante Pedrosa.
Durante a formatura, militares da 17ª Brigada de Infantaria de Selva e do 1º Pelotão Especial de Fronteira desfilaram diante do portal do forte, e houve deposição de coroa de flores no busto de Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, responsável pela escolha do local.
As comemorações se estenderam a Porto Velho, com apresentações culturais, a participação da Banda de Música da 17ª Brigada, músicos da Base Aérea de Porto Velho e da Polícia Militar de Rondônia, e o lançamento de selo e carimbo comemorativos pelos Correios.
A Academia de História Militar Forte Príncipe da Beira também lançou a obra “Tributo aos vultos históricos” e premiou estudantes em concursos literários, reforçando o papel educativo e identitário da efeméride.
Ao completar 250 anos, o Forte Príncipe da Beira segue como testemunha da construção territorial brasileira, e sua preservação representa um compromisso com o passado, e uma responsabilidade estratégica para as futuras gerações.


