sexta-feira
26 junho

Curso de Mergulhadores de Combate: bastidores da formação do GRUMEC da Marinha do Brasil, seleção rigorosa, 40 semanas e exigência psicológica

Curso de Mergulhadores de Combate, a trajetória de seleção, preparo físico, técnicas subaquáticas e resistência psicológica que compõem a formação do GRUMEC

O Curso de Mergulhadores de Combate é uma jornada de cerca de 40 semanas que combina esforço físico, técnicas especializadas e pressão mental contínua.

Oficiais e praças passam por fases que vão do mergulho autônomo até operações terrestres e infiltrações discretas com circuito fechado, exigindo disciplina e trabalho em equipe.

Ao final da fase inicial, a Marinha busca formar profissionais de alta confiabilidade para missões sensíveis, com impacto estratégico para o país, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.

Origens e evolução do GRUMEC

A atividade de Mergulhador de Combate começou na década de 1960, quando militares brasileiros foram enviados aos Estados Unidos para o curso Underwater Demolition Team, voltado ao apoio de operações anfíbias.

Com a experiência internacional, em 1970 foi criada a Divisão de Mergulhadores de Combate na Base Almirante Castro e Silva, e em 1974 ocorreu o primeiro Curso Especial realizado em território nacional.

O processo de modernização e nova doutrina levou, em 1997, à criação do atual Grupamento de Mergulhadores de Combate, o GRUMEC, que hoje reúne capacidades para cenários de elevada complexidade e risco.

Seleção inicial e a fase zero

A preparação começa antes do curso, com testes físicos, avaliações psicotécnicas e exames médicos que filtram candidatos considerados aptos para as exigências do treinamento.

Na chamada fase zero, realizada no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes, o foco é construir o condicionamento necessário para as etapas seguintes, reduzindo o risco de acidentes e falhas.

Essa triagem rigorosa garante que apenas os que apresentam resistência física e estabilidade psicológica avancem para o Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché, palco do curso propriamente dito.

O curso, os desafios e a ênfase na resistência mental

O currículo do Curso de Mergulhadores de Combate envolve mergulho autônomo convencional, técnicas de demolição, comunicações, navegação, armamento e combate aproximado.

Avançam para treinamentos especializados, como a operação de equipamentos de circuito fechado, usados para infiltrações sem emissão de bolhas, essenciais em missões discretas.

Instrutores e ex-alunos destacam que o diferencial não é apenas a força física, mas a capacidade de manter lucidez sob exaustão, tomar decisões críticas e agir em equipe com mínima margem de erro.

De forma explícita, a fonte informa que, “apenas cerca de 30% dos candidatos chegam ao final da formação“, evidenciando o caráter altamente seletivo da atividade.

Formatura, especializações e atuação operacional

A obtenção do brevê de Mergulhador de Combate marca o começo de uma carreira de aprimoramento contínuo dentro do GRUMEC, com novas qualificações ao longo dos anos.

Entre as especializações estão paraquedismo militar, salto livre operacional, desativação de artefatos explosivos, tiro de precisão e atendimento pré-hospitalar em combate.

Os Mergulhadores de Combate são empregados em operações anfíbias, contraterrorismo, retomada de plataformas e navios, apoio à fiscalização naval e missões de Garantia da Lei e da Ordem.

Mais do que técnicos subaquáticos, esses militares representam uma cultura de aperfeiçoamento, disciplina e compromisso, sintetizada pelo lema “Fortuna Audaces Sequitur”, A sorte acompanha os audazes.

O Curso de Mergulhadores de Combate continua sendo, assim, uma formação que filtra, molda e mantém operadores prontos para as situações mais delicadas enfrentadas pela Marinha do Brasil.

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