Cronograma das Fragatas Classe Tamandaré prevê incorporações entre 2027 e 2029, exige R$ 4,724 bilhões adicionais para concluir o primeiro lote e amplia nacionalização de sistemas
A Marinha informou o cronograma para a entrada em operação de mais três unidades da Fragatas Classe Tamandaré nos anos entre 2027 e 2029.
O programa integra a maior renovação da força de superfície das últimas décadas, com transferência de tecnologia, nacionalização de sistemas e qualificação de mão de obra especializada.
As informações constam em ofício encaminhado à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados.
Estado das construções e datas previstas
A primeira unidade da classe, a Fragata Tamandaré (F200), já integra a Esquadra, após incorporação ocorrida em 24 de abril de 2026.
A embarcação havia sido recebida provisoriamente pela Marinha em 6 de março, iniciando avaliações finais e preparação para o recebimento definitivo, previsto para março de 2027.
A Fragata Jerônimo de Albuquerque (F201) alcançou aproximadamente 79% de execução e está em fase de testes de sistemas no estaleiro, com provas de mar previstas para agosto e incorporação projetada para janeiro de 2027.
A Fragata Cunha Moreira (F202) registra cerca de 60% de construção e passa pela etapa final de montagem do casco, com lançamento ao mar e entrada em operação prevista para fevereiro de 2028.
A quarta unidade do lote, a Fragata Mariz e Barros (F203), iniciou sua construção em janeiro de 2026 e já alcançou aproximadamente 43% de execução, com batimento de quilha previsto ainda este ano e incorporação estimada para fevereiro de 2029.
Investimentos e financiamento necessários
Segundo os dados encaminhados pela Marinha ao Congresso Nacional, até abril de 2026 o programa havia recebido R$ 9,525 bilhões em investimentos.
Para concluir o primeiro lote de quatro fragatas ainda serão necessários R$ 4,724 bilhões, dos quais R$ 3,082 bilhões dependem de recursos previstos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento, o Novo PAC.
A manutenção do fluxo de investimentos é considerada essencial para preservar o cronograma, garantir a continuidade da transferência tecnológica e consolidar capacidades industriais estratégicas.
Capacidades operacionais e impacto industrial
As Fragatas Classe Tamandaré foram projetadas para missões como escolta de navios, proteção das Águas Jurisdicionais Brasileiras, defesa antiaérea, guerra antissubmarino, guerra de superfície e operações de presença no Atlântico Sul.
Equipadas com sensores modernos, radares tridimensionais, sistemas integrados de combate e armamentos de última geração, as embarcações elevam a capacidade de vigilância e resposta a ameaças convencionais e assimétricas.
O projeto também é um dos maiores investimentos na Base Industrial de Defesa brasileira, com as quatro fragatas sendo construídas no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, pelo Consórcio Águas Azuis, formado por Thyssenkrupp Marine Systems, Embraer Defesa & Segurança e Atech.
Especialistas em defesa apontam que a continuidade do programa pode abrir caminho para novos lotes, ampliando a capacidade operacional da Esquadra nas próximas décadas e fortalecendo a autonomia tecnológica nacional na construção de navios militares.
Por que importa para o Brasil
O investimento nas Fragatas Classe Tamandaré reforça a proteção do chamado Amazônia Azul, área que reúne rotas comerciais, recursos naturais, cabos submarinos e reservas de petróleo e gás.
Além de substituir meios que se aproximam do fim de sua vida útil, o programa estabelece uma base tecnológica para futuras embarcações de combate e fortalece a indústria naval e a capacitação de pessoal especializado no país.
Conforme o ofício encaminhado à CREDN, a conclusão do primeiro lote representa um passo importante para ampliar a presença naval, a dissuasão e a defesa dos interesses estratégicos do Brasil no Atlântico Sul.


