Operação integrada da Marinha e órgãos de segurança monitorou embarcação desde abril, permitiu a apreensão de cocaína escondida no porão e o rebocamento do pesqueiro por cerca de seis dias
A Marinha do Brasil, em ação conjunta com órgãos de segurança pública, apreendeu 3,7 toneladas de cocaína em águas internacionais do Oceano Atlântico, a cerca de 1.500 quilômetros da costa do Pará.
A abordagem resultou na prisão em flagrante de quatro tripulantes brasileiros e na interceptação de um pesqueiro que transportava a droga com destino à Guiné, na costa ocidental da África.
O pesqueiro vinha sendo acompanhado desde abril, a ação incluiu monitoramento e inteligência integrados e a embarcação foi rebocado até a Base Naval de Val de Cães, em Belém, em uma viagem de aproximadamente seis dias, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.
Como a inteligência localizou a embarcação
O êxito da operação foi fruto de meses de trabalho de inteligência. Equipes da Marinha do Brasil e de órgãos de segurança pública acompanharam deslocamentos e padrões de navegação suspeitos, o que subsidiou o planejamento da interceptação.
O acompanhamento, iniciado desde abril, permitiu identificar manobras compatíveis com transbordos em alto-mar e rotas utilizadas por organizações criminosas para dificultar a fiscalização.
A abordagem em alto-mar e a carga apreendida
A abordagem foi realizada pelo Navio-Patrulha (NPa) “Bocaina”. Durante a inspeção, militares e agentes localizaram a droga no fundo do porão do pesqueiro, acondicionada em tabletes preparados para transporte de longa distância.
Ao todo, foram apreendidas 3,7 toneladas de cocaína, a embarcação foi inspecionada e rebocada até a costa, e os quatro suspeitos foram apresentados às autoridades para os procedimentos legais.
Rota estratégica para a Guiné e impacto no tráfico
Investigações indicam que a carga tinha como destino a Guiné, na costa ocidental da África, país usado com frequência como ponto de entrada para envios destinados à Europa.
Nos últimos anos, quadrilhas passaram a usar pesqueiros para movimentar grandes carregamentos e realizar transbordos em alto-mar, com o objetivo de reduzir o risco de interceptação. Ao impedir que a carga chegasse ao continente africano, a operação atingiu uma etapa estratégica da cadeia logística do narcotráfico internacional.
Cooperação institucional e desdobramentos das investigações
A operação evidencia a importância da atuação integrada entre inteligência naval e investigação policial, e demonstra a capacidade de presença da Marinha em áreas distantes do litoral brasileiro.
As investigações continuam para identificar o local exato de onde a embarcação partiu antes de receber a carga ilícita, e para localizar financiadores, operadores logísticos e demais integrantes do esquema.
Além da apreensão da droga e das prisões em flagrante, a ação reforça ações de combate ao crime organizado transnacional e a proteção da segurança regional.


