Projeto do IME usa captação e processamento de ondas sonoras para estimar direção de disparos, montar base de dados acústicos e validar algoritmos em exercícios reais, com foco em localização de artilharia pelo som
O Instituto Militar de Engenharia, IME, desenvolve uma tecnologia para ampliar a capacidade brasileira de detectar e localizar disparos de artilharia a partir do som produzido por morteiros, obuses e lançadores.
A iniciativa prevê a formação de uma base de dados de assinaaturas acústicas, e o uso de algoritmos para identificar, classificar e estimar a direção de onde partiram os tiros.
Os registros foram coletados durante o Exercício Coxilha, no Centro de Instrução Barão de São Borja, em Saicã, no Rio Grande do Sul, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco
Como funciona a tecnologia
O sistema transforma ondas sonoras geradas pelo disparo em informação operacional, por meio de sensores e processamento de sinais.
Algoritmos treinados com a base de dados procuram distinguir assinaturas acústicas de diferentes sistemas, e estimar a direção de origem do som, o que permite apoiar a tomada de decisão em campo.
O trabalho se baseia em técnicas já empregadas pelo IME no Projeto Caçador, que localizou atiradores de elite a partir de detecção sonora, porém agora o desafio é maior, pois envolve múltiplos calibres e perfis de artilharia.
Coleta de dados no Exercício Coxilha
A primeira etapa do projeto consistiu em gravar sons reais de obuseiros de diferentes calibres durante o Exercício Coxilha, organizado pela 3ª Artilharia Divisionária.
Participaram da equipe do IME o Coronel Veterano PTTC Caetano, o Suboficial Bomfim e os alunos do Curso de Formação Tenente Chinelatto e Tenente Judá, todos vinculados à Seção de Ensino em Engenharia Elétrica do IME.
Os registros obtidos em ambiente de adestramento fornecem a diversidade necessária para testar algoritmos e estabelecer parâmetros de detecção e classificação.
Apresentação a autoridades e integração com ASTROS-FOGOS
O projeto foi apresentado às autoridades militares presentes no exercício, entre elas o gerente do Subprograma Estratégico de Artilharia de Campanha, General de Brigada Veterano Moises da Paixão Junior, em conjunto com o Professor Coronel Veterano PTTC Caetano, do IME.
Também acompanharam a apresentação o comandante da 3ª Divisão de Exército, General de Divisão Marcus Alexandre Fernandes de Araujo, e o comandante da 3ª Artilharia Divisionária, General de Brigada Alexsander Aquiles da Conceição, entre outros oficiais-generais.
O desenvolvimento está alinhado ao Programa Estratégico ASTROS-FOGOS, do Exército Brasileiro, e busca criar uma ferramenta que contribua para a busca e localização de alvos de artilharia por meio da localização de artilharia pelo som, fortalecendo a integração entre pesquisa, engenharia e capacidade operacional.
Próximas etapas
Com a base de dados em formação, as próximas fases incluem o ajuste e a validação dos algoritmos de detecção, classificação e estimativa direcional, e novos testes em cenários variados.
O avanço demonstra como a pesquisa acadêmica militar pode ser direcionada para atender necessidades concretas das Forças Terrestres, aproximando ciência, tecnologia e operação.


