Nova ferramenta combina vídeo ao vivo, geolocalização e comunicação direta com o cidadão, para validar ocorrências em tempo real e reduzir trotes nas centrais de emergência
A Secretaria de Segurança de São Paulo avalia uma tecnologia que permite ao operador receber imagens, áudio e localização do solicitante antes de decidir pelo envio de viaturas.
A intenção é qualificar o atendimento e reduzir o volume de acionamentos improdutivos, os chamados trotes nas centrais de emergência, que oneram o serviço e expõem a população a riscos.
Provas de conceito já foram realizadas junto ao COPOM da Polícia Militar de São Paulo e ao Corpo de Bombeiros, e novas etapas de testes estão previstas em outras corporações, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Como funciona a validação em tempo real
A solução, chamada VIU, opera enviando ao solicitante um link que libera vídeo ao vivo, áudio e a localização do aparelho para o operador da central.
Com esses dados, a central pode distinguir um chamado que exige deslocamento imediato de uma situação que pode ter outro encaminhamento, reduzindo a dependência exclusiva das informações verbais do solicitante.
Escala do problema e estimativas de custo
O elevado número de trotes afeta centrais em todo o país, e, em São Paulo, as estimativas apontam para cerca de 100 mil falsos avisos por mês apenas na capital.
De acordo com cálculos a partir de dados operacionais do Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM), o problema tem um impacto aproximado de R$ 28 milhões mensais em deslocamentos e mobilização desnecessária de equipes.
Em uma projeção para o estado, esse valor poderia chegar a aproximadamente R$ 102 milhões por mês, segundo as mesmas apurações.
Impactos operacionais e ganhos esperados
Além da economia direta, a redução dos trotes nas centrais de emergência melhora a disponibilidade da frota e o tempo de resposta, pois equipes não ficam imobilizadas em ocorrências improdutivas.
Menos deslocamentos desnecessários podem significar viaturas e ambulâncias prontas para atender emergências reais, e eficiência maior no emprego de recursos humanos e materiais.
Testes internacionais, limitações e próximos passos
A VIU já opera em Bogotá e na Cidade do México, o que mostra experiência em grandes centros urbanos, e no Brasil as provas de conceito servem para avaliar integração aos fluxos operacionais existentes.
Especialistas apontam que a tecnologia não substitui o operador nem os protocolos de atendimento, ela acrescenta uma camada de informação para qualificar decisões, e será necessário ajustar treinamentos, regras de uso e garantias de privacidade.
Se os testes confirmarem os ganhos esperados, a adoção de ferramentas como essa pode ser uma alternativa prática para reduzir trotes nas centrais de emergência, preservar capacidade de resposta e otimizar o gasto público.


