Quarta edição em Natal reúne Senac Carreiras, Sebrae, IFRN e 21 empresas, e transforma competências militares em oportunidades no mercado, segundo a Marinha
A Marinha do Brasil ampliou o Programa de Empregabilidade, voltado a apoiar militares que encerram o serviço obrigatório ou temporário, com foco na transição para o mercado de trabalho.
Realizada em julho, em Natal, a quarta edição uniu capacitação profissional, orientação de carreira, empreendedorismo, oficinas de inteligência artificial e contato direto com empresas.
O objetivo é evitar que o militar deixe a Força sem orientação, oferecendo ferramentas práticas para buscar emprego ou criar o próprio negócio, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.
Como funciona a preparação
Durante uma semana, os participantes passam por uma jornada de preparação que abrange elaboração de currículo, preparação para entrevistas, desenvolvimento profissional e identificação de objetivos.
A formação, desenvolvida pelo Comando do 3º Distrito Naval (Com3ºDN) no contexto do Projeto Soldado Cidadão, foi estruturada em parceria com o Senac Carreiras e busca transformar competências militares em ativos para o mercado.
Inteligência artificial e empreendedorismo integrados
Uma das novidades foi a inclusão de atividades sobre inteligência artificial, realizadas pelo Senac no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) no terceiro dia do programa.
As oficinas mostraram como a IA pode aumentar a produtividade e auxiliar na preparação para processos seletivos, ampliando as possibilidades de contratação.
No quarto dia, a representante do Sebrae, Regina Costa, conduziu um painel sobre empreendedorismo, abordando desenvolvimento de ideias e criação do próprio negócio.
Contato direto com empresas e números que mostram o avanço
A etapa final, realizada em um hotel de Natal, reuniu militares temporários, instituições parceiras e o setor produtivo, permitindo entrega de currículos e entrevistas no local.
O crescimento do programa é evidente nos números apresentados, com o número de empresas participantes passando de sete para 21, enquanto as oportunidades anunciadas saltaram de aproximadamente 300 para 1.400 vagas.
Ao longo de quatro edições, em dois anos, o programa preparou cerca de 130 marinheiros que estavam encerrando o serviço militar obrigatório ou a trajetória temporária.
Competências valorizadas e relatos
Segundo a Capitão de Corveta Jéssica, chefe do Serviço de Recrutamento Distrital do Com3ºDN, parte do crescimento está relacionada ao perfil dos profissionais formados no serviço militar, que trazem responsabilidade, disciplina, cumprimento de horários e criatividade.
O programa também busca responder ao sentimento de incerteza que muitos apontam ao deixar a Força, resumido na expressão “E agora?” usada por participantes para descrever a passagem do uniforme para a vida civil.
O Marinheiro Recruta Paulo Joelden de Amorim, de 20 anos, que serviu por um ano na Base Naval de Natal durante o serviço militar obrigatório, destacou a importância de receber direcionamento antes de deixar as Forças Armadas.
Impacto e continuidade
A iniciativa cria uma ponte entre a formação militar e as exigências do mercado, aproximando os militares de instituições de ensino, entidades de apoio ao empreendedorismo e empresas.
Na terceira edição, realizada em fevereiro de 2026, a feira de empregabilidade reuniu 14 empresas, demonstrando a ampliação gradual das parcerias e oportunidades.
Com oficinas práticas, IA, empreendedorismo, orientação e entrevistas com empresas, o Programa de Empregabilidade da Marinha busca transformar a saída da Força em um processo planejado e com chances concretas de inserção no mercado de trabalho.


