Ao integrar o Comitê Executivo e participar ativamente da 38ª Reunião Anual do COMNAP em Tromsø, a Marinha do Brasil passou a influenciar decisões sobre planejamento, tecnologias e proteção ambiental para a temporada 2026/2027
A presença brasileira no encontro internacional elevou a participação do país na coordenação de apoio às pesquisas científicas no continente antártico.
O evento reuniu programas responsáveis pela logística, operações marítimas e aéreas, medicina e segurança ambiental, em um momento de rápidas transformações climáticas e operacionais na região.
Na avaliação das autoridades brasileiras, a participação amplia o intercâmbio de boas práticas e permite ajustar o OPERANTAR às demandas internacionais, conforme informação divulgada pela Agência Marinha de Notícias e pelo COMNAP, incluindo a confirmação de que “a 38ª reunião anual ocorreu em Tromsø nos dias 4, 5 e 6 de agosto de 2026.”
Segurança e modernização das operações antárticas
Durante a reunião técnica, houve troca de informações sobre o planejamento da temporada antártica 2026/2027, com foco na modernização de instalações e na redução de riscos operacionais.
Foram abordados temas práticos como operações aéreas e marítimas, emprego de helicópteros a partir de navios, combustíveis alternativos e capacidades de navios de pesquisa.
Esses pontos se relacionam diretamente com o funcionamento da Estação Antártica Comandante Ferraz, e com os navios de apoio Ary Rongel e Polar Almirante Maximiano, além do apoio de aeronaves da Força Aérea Brasileira nas ações do OPERANTAR.
Cooperação científica e proteção ambiental
O Brasil levou ao COMNAP iniciativas de educação e divulgação científica, incluindo o curso “Antártica ou Antártida?” desenvolvido pela Universidade Federal do ABC, com objetivo de aproximar a ciência antártica das escolas.
Também foi apresentado um treinamento conjunto com o Ibama e a Petrobras para capacitação do Grupo-Base da Estação Comandante Ferraz em prevenção e resposta a derramamentos de óleo.
O exercício foca em transferência de combustíveis, contenção, resposta a derramamentos e gerenciamento de resíduos, integrando a proteção ambiental ao planejamento operacional do país.
Biossegurança e resposta à Influenza Aviária
Um dos temas emergentes discutidos no encontro foi a presença da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade na fauna da Península Antártica, o principal palco das atividades do PROANTAR.
Especialistas destacaram a necessidade de manter e revisar medidas de biossegurança, incorporando protocolos específicos aos treinamentos que antecedem o deslocamento das equipes para o continente.
O tema evidencia que as operações antárticas exigem não apenas recursos navais e aéreos, mas também procedimentos capazes de reduzir riscos biológicos e preservar o ambiente frágil da região.
Governança, eleição e plano estratégico
Um desfecho institucional relevante para o Brasil foi a eleição da Capitão de Mar e Guerra Haynnee Trad para uma das vice-presidências do COMNAP, com mandato de três anos.
A oficial, que integra a Assessoria Especializada de Relações Internacionais da SECIRM, passa a compor o Comitê Executivo ao lado de representantes do Reino Unido, Itália, Turquia, Índia e Polônia.
O resultado foi destacado pela Agência Marinha de Notícias como um reconhecimento da contribuição do PROANTAR para a cooperação logística, operacional e científica na Antártica.
Na mesma reunião foi aprovado o Plano Estratégico do COMNAP para 2026 a 2033, com prioridades como colaboração internacional, apoio à ciência, tecnologias críticas, proteção ambiental e operações aéreas e marítimas, além do apoio ao 5º Ano Polar Internacional (IPY-5).
Para o Brasil, a participação no COMNAP significa compartilhar infraestrutura, experiências e informação com outros programas que atuam em condições semelhantes, além de favorecer a inserção de pesquisadores brasileiros em redes internacionais.
Houve ainda contatos com instituições norueguesas, como o Instituto Polar Norueguês e a Universidade do Ártico, para ampliar possibilidades de cooperação científica entre Brasil e Noruega.
Ao combinar ciência, logística, segurança operacional e proteção ambiental, a atuação brasileira na governança antártica busca reforçar a capacidade do país de entender as transformações do clima e do Oceano Austral, que têm impactos sobre o Atlântico Sul e o nível do mar.
Com a nova posição no COMNAP, a Marinha do Brasil passa a ter voz mais ativa nas decisões sobre boas práticas operacionais, treinamentos e adoção de tecnologias que sustentem as pesquisas científicas no continente.
Para acompanhar as decisões e ajustes operacionais do OPERANTAR, o país continuará integrando planejamento logístico, medidas de biossegurança e ações de educação, com objetivo de garantir operações mais seguras e ambientalmente responsáveis na Antártica.


