Debate na FIEMG reúne indústria e parceiros internacionais para discutir pesquisa, processamento, investimentos e inovação em minerais críticos, com foco no papel de Minas Gerais
Uma reunião na sede da FIEMG em Belo Horizonte colocou os minerais críticos no centro do debate sobre tecnologia e transição energética. Representantes da indústria, do setor público e parceiros internacionais discutiram desde a pesquisa mineral até o refino e a fabricação de componentes de alta complexidade.
Os participantes destacaram a necessidade de transformar a disponibilidade de recursos naturais em capacidade industrial e tecnológica que gere maior valor agregado, com atenção especial a lítio, terras raras, cobre e nióbio.
O encontro reuniu vozes da China, Canadá, Estados Unidos, Japão, Chile e Finlândia, em um esforço para identificar oportunidades de cooperação internacional e investimentos, conforme informação divulgada pela FIEMG.
Minerais críticos entram na agenda estratégica
Na abertura, Alexandre Mello, presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, ressaltou o caráter transversal da agenda de minerais críticos, incluindo dimensões econômicas, ambientais e geopolíticas. Mello destacou que o Brasil tem oportunidades relevantes, mas precisa ampliar a pesquisa mineral e avançar na transformação desses recursos em desenvolvimento tecnológico.
Bruno Melo, presidente da Câmara de Metalurgia, Siderurgia e Mineração, enfatizou a necessidade de identificar e remover obstáculos que retardem o desenvolvimento do setor, tratando a mineração como prioridade estratégica para o País. Para Mário Campos, presidente do Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o desafio passa pelo licenciamento ambiental e pela busca de desenvolvimento com sustentabilidade e competitividade.
Terras raras e o desafio de agregar valor
André Luís Pimenta, coordenador do CIT SENAI ITR, apresentou a palestra “Terras Raras, Inovação e Autonomia Tecnológica: o papel de Minas Gerais na indústria do futuro” e detalhou como a agregação de valor aumenta conforme a cadeia produtiva avança da mineração e do beneficiamento para etapas como separação, refino, produção de óxidos, metais, ligas e ímãs permanentes.
O ponto central é que o acesso ao recurso natural é apenas o início de uma cadeia que exige conhecimento científico, capacidade industrial e inovação para produzir componentes empregados em setores de alta tecnologia, tornando a Minas Gerais estratégica para esse salto.
Cooperação internacional e perspectivas por países
O cônsul comercial da China no Rio de Janeiro, Jing Yanhui, na palestra “Cooperação para Cadeias de Valor de Minerais Críticos: Processamento, Inovação e Transição Energética”, defendeu maior aproximação entre Brasil e China, apontando complementaridades industriais e oportunidades para ampliar a cooperação em minerais críticos e indústria verde.
A cônsul comercial do Canadá, Helen Belgrave, abordou “Mercado de Capitais e Mineração Sustentável: Caminhos para Novos Projetos Industriais”, e indicou espaço para investimentos que impulsionem exploração, processamento e inovação no Brasil. O conselheiro econômico da Embaixada dos Estados Unidos, Matthew Lowe, destacou oportunidades para o País avançar em processamento, refino e fabricação de produtos de maior valor agregado.
O cônsul honorário do Japão em Belo Horizonte, Wilson Nélio Brumer, na palestra “Nióbio, Terras Raras e Inovação: Oportunidades para Indústrias de Alta Tecnologia”, chamou atenção para a necessidade de ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral brasileiro e melhorar a integração entre os elos das cadeias produtivas.
O líder de Estudos de Mineração da Comissão Chilena do Cobre, Ronald Monsalve Helfant, defendeu, em “Cobre, Lítio e Transição Energética: Oportunidade para uma Agenda Industrial Sul-Americana”, que a região pode combinar recursos e experiência produtiva para ofertar cobre e lítio de forma mais diversificada e resiliente no mercado mundial.
A experiência finlandesa foi apresentada pela cônsul honorária da Finlândia em Minas Gerais, Patrícia Coutinho, e por Felipe Roberto da Silva, da Metsu, com propostas para integrar mineração e refino químico de alta pureza para baterias. Segundo a apresentação, “a utilização de uma rota alcalina permite reduzir em até 60% o consumo de água em comparação com processos tradicionais, além de operar com reaproveitamento hídrico.”
Impactos comerciais e próximos passos
Ao encerrar, Alexandre Mello trouxe o debate sobre o Tarifaço dos Estados Unidos e seus efeitos em setores mineiro e industrial de Minas Gerais. Parte dos setores potencialmente afetados inclui máquinas e equipamentos, materiais elétricos, rochas ornamentais, refratários, químicos, cosméticos, joias e manufaturados diversos.
Por outro lado, “Parte dos produtos foi preservada das novas tarifas, incluindo café, carne bovina, suco de laranja, petróleo, celulose, medicamentos, aeronaves, vergalhões, ferroligas, ouro, minérios e alguns insumos críticos.” Segundo Mello, o governo brasileiro avalia a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, enquanto as negociações diplomáticas com os Estados Unidos continuam.
O encontro na FIEMG deixou claro que, para Minas Gerais agregar mais valor aos seus recursos, será preciso ampliar investimentos em pesquisa, incentivar rotas de processamento sustentáveis, fortalecer centros tecnológicos e atrair parcerias internacionais, visando transformar reservas minerais em produtos e tecnologia com maior valor econômico.


