Viagem de Estudos Estratégicos do CPEAEx no Paraná mostrou integração entre defesa, fronteiras, logística portuária, energia, indústria e agronegócio para interesses nacionais
Uma comitiva de oficiais-alunos percorreu o Paraná para observar, na prática, como diferentes setores do Estado se articulam na construção do Poder Nacional.
A programação incluiu visitas a organizações militares, órgãos de inteligência, entidades empresariais, portos e usinas hidrelétricas.
Ao final da rota, os participantes puderam relacionar prontidão militar, segurança de fronteiras, indústria e infraestrutura num mesmo quadro estratégico, conforme informação divulgada pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).
Prontidão militar e apoio logístico em foco
Na agenda da Viagem de Estudos Estratégicos estiveram a 5ª Divisão de Exército e a 5ª Região Militar, onde os oficiais observaram a preparação para emprego e o suporte logístico às tropas.
As visitas permitiram verificar a dimensão operacional da prontidão, e como a sustentação administrativa e logística é condição para qualquer ação das Forças Armadas, especialmente em uma região com fronteiras sensíveis.
A leitura integrada da prontidão com outros setores ajuda a compreender que a capacidade de emprego militar depende de apoio contínuo, de infraestrutura e de coordenação interinstitucional.
Fronteiras, inteligência e combate ao crime transfronteiriço
Na agenda da VEE, a comitiva passou pela Agência Brasileira de Inteligência, onde foram apresentados aspectos geoestratégicos e desafios de segurança regional.
A programação incluiu a Tríplice Fronteira, onde Receita Federal, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal explicaram operações contra o crime transfronteiriço e o descaminho.
Os exercícios e as trocas mostraram que a segurança das fronteiras requer articulação entre diferentes órgãos do Estado, e não depende apenas da presença militar, reforçando a necessidade de coordenação civil-militar.
Base Industrial de Defesa, indústria e inovação
Em encontros na Federação das Indústrias do Estado do Paraná, FIEP, e no CONDEFESA-PR, os participantes discutiram a Base Industrial de Defesa e a integração entre universidades, empresas e Forças Armadas.
A aproximação entre esses setores é vista como essencial para o desenvolvimento de tecnologia e capacidades estratégicas, conectando pesquisa, inovação e produção industrial às demandas de defesa.
Também foi visitado o Sistema FAEP, onde o agronegócio mostrou o uso de tecnologias, como drones, para monitoramento e segurança rural, integrando atividade econômica e proteção territorial.
Logística portuária, segurança marítima e energia
O roteiro pelo litoral contemplou o Porto de Paranaguá e a Capitania dos Portos, pontos-chave para entender a logística de exportação e a segurança da navegação.
Ao relacionar movimentação de cargas, rotas marítimas e proteção de águas jurisdicionais, os oficiais-alunos puderam perceber a importância da logística portuária para a economia e para a segurança nacional.
A visita à Itaipu Binacional permitiu ainda analisar os desafios de proteção de infraestrutura crítica e a relevância de garantir a segurança energética do País.
Esses contatos reforçam a ideia de que a proteção de usinas, portos e rotas é parte integrante de uma estratégia nacional que envolve setor público, indústria e Forças Armadas.
Dimensão internacional e formação estratégica
A VEE contou com a participação de coronéis do Exército, da Marinha e da Força Aérea brasileiras, e de oficiais de Argentina, Equador, Peru e Portugal, ampliando a troca de experiências.
Esse intercâmbio internacional contribuiu para uma visão multinacional sobre desafios comuns, e para a formação de lideranças capazes de operar em ambientes estratégicos complexos.
Mais do que visitas técnicas, a Viagem de Estudos Estratégicos funcionou como uma aula prática, ligando conceitos de estratégia e segurança a estruturas reais que sustentam o funcionamento do Estado e da economia.
Ao final da programação, o resultado principal foi a capacidade de integrar diferentes dimensões da segurança e do desenvolvimento, da prontidão militar à proteção de infraestrutura crítica, passando pela indústria, pelo agronegócio e pela logística portuária.
A experiência no Paraná, portanto, reforça a premissa de que a construção do Poder Nacional depende da articulação entre instituições públicas, empresas, universidades e Forças Armadas, e que entender essas interdependências é tarefa central para futuros líderes militares.


