Google lançou o Gemini Enterprise for Legal, Thomson Reuters investiu US$ 40 milhões no Thomson, e grandes escritórios anunciam fundos, acelerando a transformação da IA jurídica
A corrida pela IA jurídica deixou de ser apenas sobre gerar textos, para disputar infraestrutura, dados e fluxos de trabalho que sustentam o cotidiano dos advogados.
Nos últimos meses, empresas de tecnologia, fornecedores de informação jurídica e escritórios globais anunciaram apostas que variam de modelos proprietários a plataformas integradas e investimentos bilionários.
As informações reunidas na reportagem foram divulgadas pelas empresas e por reportagens do setor, e detalham lançamentos, valores e parcerias que mostram a nova etapa da automatização jurídica, conforme informações divulgadas pelas empresas e reportagens do setor.
O que trouxe o anúncio do Google e como funciona a plataforma
O Google Cloud apresentou o Gemini Enterprise for Legal, uma plataforma desenhada para o trabalho jurídico, com agentes capazes de executar tarefas, conexões com sistemas corporativos e mecanismos de governança.
O ambiente foi pensado para integrar a IA aos sistemas onde o trabalho acontece, cobrindo revisão e negociação de contratos, pesquisa jurídica, criação de playbooks, acompanhamento regulatório e demandas sobre proteção de dados.
O desenvolvimento contou com a colaboração de grandes escritórios internacionais, incluindo Cleary Gottlieb, Freshfields, Weil e Williams & Connolly, para alinhar a ferramenta às exigências de trabalhos jurídicos sofisticados.
Quatro estratégias distintas, o mesmo alvo
Em vez de seguir um único caminho, o mercado mostra alternativas. A Thomson Reuters, por exemplo, desenvolveu o Thomson, seu primeiro LLM proprietário, com um aporte informado de US$ 40 milhões em talentos e capacidade computacional.
A empresa destaca que reúne 175 anos de dados e conteúdos jurídicos, e que menos de 10% de seu conteúdo havia sido utilizado no treinamento do Thomson até o lançamento, apontando o valor dos acervos especializados.
Por sua vez, a Harvey lançou o Harvey Tenet, um modelo pós-treinado anunciado em 20 de agosto, visando inteligência jurídica avançada com pesos abertos, e a Anthropic ampliou o Claude para o setor jurídico em maio, com conectores e plugins para integrar contratos, e-discovery e sistemas de precedentes.
Escritórios como construtores de tecnologia
Um movimento notável vem dos próprios escritórios. A Kirkland & Ellis declarou a intenção de investir US$ 500 milhões durante três a quatro anos no desenvolvimento de sua plataforma de IA, com cerca de US$ 100 milhões em 2026, envolvendo aproximadamente 250 advogados e mais de 180 profissionais de tecnologia.
O escritório registrou receita de aproximadamente US$ 10,6 bilhões no ano anterior, o que evidencia a escala do projeto e a mudança de perspectiva sobre a IA, de simples fornecedor a criador de infraestrutura própria.
Impactos práticos e o que está em jogo
O cerne da disputa não é apenas velocidade na produção de peças processuais, mas quem controlará modelos, dados jurídicos, conhecimento institucional e os fluxos de trabalho que automatizam tarefas rotineiras.
Quando um agente integrado aplica padrões internos para revisar documentos, localizar precedentes e preparar material para análise humana, parte do conhecimento tácito do escritório se transforma em um ativo executável.
Isso não elimina o julgamento humano, mas pode reduzir substancialmente o trabalho prévio necessário, mudando a proporção de atividade manual e o modelo de entrega de serviços jurídicos.
Na prática, a corrida pela IA jurídica moverá investimento, parcerias e aquisições, e colocará em evidência empresas que combinarem modelo, conteúdo e integração com software e workflows usados diariamente pelos profissionais.


