Da tradição do Almirante Tamandaré às capacidades do PFCT, a Fragata Tamandaré F200 une história, tecnologia compatível com OTAN e proteção dos 5,7 milhões de km² da Amazônia Azul
Tamandaré é um nome que atravessa quase 160 anos da marinha brasileira, articulando memória, poder de fogo e projeção estratégica. A trajetória vai do primeiro encouraçado nacional às fragatas modernas, conectando passado e presente.
O legado do Almirante Joaquim Marques Lisboa permanece como símbolo de identidade e coragem, e a nova fragata soma tradição e tecnologia para enfrentar desafios contemporâneos no mar.
Os dados históricos e técnicos a seguir foram organizados conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Tamandaré como fio histórico da Marinha
O primeiro navio a ostentar o nome foi o encouraçado lançado em 1865 no Arsenal de Marinha da Corte, primeira embarcação desse tipo construída no Brasil. Na Guerra da Tríplice Aliança, atuou em operações no Rio Paraguai, incluindo o bombardeio de Itapiru e o forçamento das passagens de Curupaiti e Humaitá.
Em 1897, o cruzador protegido Almirante Tamandaré representou um esforço de engenharia naval nacional, servindo como plataforma de formação de Guardas-Marinha e marcando presença durante a Revolta da Armada.
Do pós-guerra à projeção internacional
Em 1952, a Marinha incorporou o cruzador ligeiro Tamandaré, anteriormente USS Saint Louis (CL-49), que ganhou destaque no Teatro do Pacífico e recebeu o apelido de “Lucky Lou”. No serviço brasileiro, foi um dos mais poderosos meios da Esquadra, com larga autonomia e armamento robusto.
Durante 23 anos de serviço ativo, esse cruzador participou de exercícios UNITAS, comissões no exterior e viagens de instrução, navegando mais de 216 mil milhas náuticas, projetando presença internacional para o País.
A nova era, Fragata Tamandaré F200 e o PFCT
Lançada em 9 de agosto de 2024 em Itajaí, a Fragata Tamandaré (F200) é o primeiro navio do Programa Fragatas Classe Tamandaré, com cerca de 3.500 toneladas, convoo e hangar para helicóptero, e sensores e sistemas de combate integrados compatíveis com padrões da OTAN.
Projetada para enfrentar ameaças de superfície, aéreas e submarinas, a fragata terá papel central na proteção dos mais de 5,7 milhões de km² da Amazônia Azul, e em missões de busca e salvamento, combate à poluição, repressão a ilícitos e operações internacionais.
Desde agosto de 2025, cerca de 130 militares e civis participam dos testes de mar, e o navio superou a velocidade nominal prevista, alcançando mais de 27 nós, segundo a documentação do programa.
Impacto industrial e legado institucional
Gerenciado pela EMGEPRON e executado pela Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, o PFCT é apontado como o mais avançado programa de construção naval militar no País. O projeto promete transferência de tecnologia e geração de empregos, fortalecendo a Base Industrial de Defesa.
Para a historiadora Beatriz Telles Estrella, da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, a permanência do nome Tamandaré mostra a importância de uma identidade institucional que articula passado, presente e futuro, reforçando a memória naval como elemento estratégico da Força.
A Fragata Tamandaré reafirma que o nome não é só herança simbólica, é um instrumento vivo da soberania marítima, unindo séculos de história aos desafios estratégicos do futuro.


