No InovaUSP, projetos como a PocketFab, o JAIRU equipado com tecnologia B200 e o RM7 reforçam a cooperação entre Marinha e USP na inovação tecnológica e nas áreas de defesa
A Marinha do Brasil participou do lançamento de iniciativas estratégicas no Centro de Pesquisa e Inovação da Universidade de São Paulo, o InovaUSP, ampliando ações em ciência e tecnologia com potencial de aplicação em defesa nacional.
Os projetos apresentados combinam pesquisa de ponta com capacidade de aplicação prática em semicondutores, inteligência artificial e tecnologias quânticas, áreas apontadas como críticas para a soberania tecnológica.
Os detalhes das iniciativas e a presença de autoridades da Marinha e da USP foram divulgados durante o evento, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil e pela Universidade de São Paulo.
Semicondutores e a PocketFab
Um dos destaques é a PocketFab, descrita como uma fábrica modular de semicondutores que cria condições inéditas no Brasil para o desenvolvimento rápido de soluções tecnológicas em setores estratégicos, com apoio institucional da Marinha.
A iniciativa envolve parceria entre USP, FIESP e SENAI, e visa atender áreas como defesa, agricultura, energia renovável, saúde e manufatura avançada, contribuindo para reduzir dependências externas.
IA e o cluster JAIRU
Foi apresentado o Joint Artificial Intelligence Research Unit, o JAIRU, instalado no Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina da USP, equipado com tecnologia B200.
Segundo a organização, o JAIRU constitui o maior cluster de IA desse tipo na América Latina, voltado ao desenvolvimento de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs), com foco no aperfeiçoamento de IA em língua portuguesa, aplicação relevante também para fins militares e governamentais.
Ciências quânticas e o RM7
O evento apresentou ainda o Núcleo de Excelência em Ciências e Tecnologias Quânticas, que integra laboratórios, infraestrutura e formação de recursos humanos especializados, visando consolidar pesquisa em computação quântica, comunicações e sensores de alta precisão.
A USP também exibiu o RM7, equipamento de ressonância magnética de 7 tesla, único em operação na América Latina, capaz de produzir imagens de ultra-alta resolução para pesquisas em saúde e neurociência, aplicações com potencial dual, civil e militar.
Parceria histórica e soberania
A cooperação entre a Força Naval e a USP teve início em 1956 e completará 70 anos em 2026, sendo considerada uma das mais longevas parcerias entre defesa e academia no País.
Durante a cerimônia, a presença de Alexandre Rabello de Faria, Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, e de autoridades da USP, consolidou o papel das Forças Armadas como atores estratégicos no ecossistema nacional de inovação.
Especialistas afirmam que iniciativas como essas reforçam a soberania tecnológica brasileira, reduzem dependências externas e posicionam o país de forma mais competitiva em áreas sensíveis da geopolítica do conhecimento.


